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Duo Izza n Evan desafia invisibilidade artística com álbum de estreia

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Transformar o sentimento de invisibilidade do circuito independente em estímulo criativo é a engrenagem que move a estreia fonográfica do duo Izza n Evan nos palcos.

O encontro entre a cantora e compositora Izza e o pianista e produtor musical Evan Megaro resulta no álbum autoral Nobody Cares, obra que une experimentações acústicas, eletrônicas e arranjos sofisticados. Desenvolvido e financiado de forma independente ao longo de quase quatro anos de produção, o repertório ganha sua primeira apresentação completa no Palácio das Artes, integrando a programação Palácio Todo Dia, da Fundação Clóvis Salgado, no dia 13 de setembro de 2026.

A gente explorou a sonoridade do álbum como um laboratório de química: misturando nossos próprios elementos apenas para ouvir como soaria.

O cruzamento entre trajetórias e fronteiras

A identidade do duo reflete formações distintas que convergem na canção pop alternativa. Cearense radicada na capital mineira, Izza traz a bagagem de trabalhos como o disco Cosmópolis (2017) e o DVD Izza & a Kombi Azul Ao Vivo (2019), além de sólida presença interpretando vertentes do jazz. Já Evan Megaro, natural de New Jersey, nos Estados Unidos, carrega a formação em música erudita e um catálogo de mais de vinte álbuns lançados em variados gêneros.

O que começou como um convite de Evan para participações vocais evoluiu rapidamente para um projeto compartilhado de composição. No estúdio, a fusão ganhou contornos retrô-futuristas inspirados na década de 1980, mesclando linguagens do synth-pop, trip hop, lo-fi e acid jazz sob uma perspectiva contemporânea.

Recortes de vida condensados em oito faixas

Composto por oito faixas inéditas — sendo três assinadas por Izza e cinco por Evan —, o disco aborda desabafos, relações afetivas e memórias acumuladas nas últimas duas décadas. O trabalho revelou previamente os singles “No Lies” e “If Only”, distribuindo ao longo do alinhamento conexões sonoras que amarram o disco mesmo sem uma narrativa cronológica linear.

A provocação do título em inglês funciona como recurso irônico diante da indiferença mercadológica enfrentada pela produção autoral. Em vez de capitular ao desinteresse exterior, a dupla utiliza a expressão como manifesto de persistência e autonomia artística.

Estrutura cênica aberta ao improviso

A transposição do estúdio para o palco foge da reprodução literal das gravações. Na apresentação ao vivo, a dupla divide a cena com instrumentistas de destaque: Felipe Vilas Boas na guitarra, Enéias Xavier no contrabaixo, Arthur Rezende na bateria, Sérgio Danilo nos sopros e Anaju Guarnieri no violino.

A formação expandida insere a linguagem do improviso no núcleo das apresentações, garantindo texturas e dinâmicas harmônicas mutáveis a cada concerto. O repertório da noite contará ainda com a prévia de uma composição inédita, sinalizando os próximos passos criativos do projeto.

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