O Duo Orimã apresenta ao público, no dia 5 de junho, o single “Zumbi Bará / Dio Zambi”, uma obra que transforma duas composições distintas em uma experiência sonora única, atravessada por espiritualidade, ancestralidade e força rítmica. A faixa chega às plataformas digitais com a proposta de conduzir a escuta a um território sensorial e simbólico, onde repetição e silêncio se tornam elementos centrais.
A releitura parte de duas músicas de Rafael Altério — “Zumbi Bará”, com letra de Paulo César Pinheiro, e “Dio Zambi”, em parceria com Celso Viáfora — que, no arranjo do duo, deixam de existir como peças separadas para se tornarem um fluxo contínuo. A fusão não é apenas musical, mas também conceitual, guiada por uma percepção de afinidade espiritual entre as obras.
Uma construção sonora que nasce do encontro
A ideia de unir as duas canções surgiu a partir de um processo de escuta aprofundada do repertório de Rafael Altério. Segundo o Duo Orimã, a conexão entre as músicas foi se revelando de forma gradual, até se tornar inevitável.
“Essas duas canções nos atravessavam de uma maneira muito forte. Aos poucos, percebemos que elas dialogavam entre si não apenas musicalmente, mas espiritualmente. Então nasceu o desejo de uni-las em uma só narrativa, trazendo a nossa identidade sonora para esse encontro”.
Essa integração resulta em uma peça que não se organiza em começo, meio e fim convencionais. Em vez disso, a faixa se desenvolve como um ciclo, sustentado por camadas de percussão e pela condução vocal, criando uma sensação de continuidade e imersão.
Entre o mantra e a memória
Com forte inspiração na espiritualidade afro-brasileira, “Zumbi Bará / Dio Zambi” se constrói como um espaço de evocação. O duo aposta em elementos como repetição, pulsação e pausas estratégicas para criar uma atmosfera que se aproxima de um ritual sonoro.
Lu Starzynski e Nando Altenfelder definem a proposta como uma busca por conexão profunda por meio da escuta. A música, nesse contexto, deixa de ser apenas uma estrutura estética para assumir um papel sensorial e simbólico.
“Buscamos criar um ambiente sonoro quase como um mantra, em que repetição, pulsação e silêncio conduzem a escuta para um lugar de conexão e memória”.
A escolha estética dialoga diretamente com tradições afro-brasileiras, nas quais a música frequentemente ocupa um papel ritualístico, conectando corpo, espiritualidade e coletividade. Essa dimensão se reflete tanto na construção do arranjo quanto na interpretação vocal, que valoriza a intensidade e a presença.
Referências que atravessam o projeto
A presença de Paulo César Pinheiro no repertório também se destaca como um elemento simbólico importante dentro do trabalho do duo. Reconhecido como um dos grandes letristas da música brasileira, ele aparece aqui como uma referência direta na construção poética do projeto.
Para o Duo Orimã, a escrita de Pinheiro dialoga com as bases conceituais que sustentam o trabalho artístico do grupo, especialmente no que diz respeito à relação entre imagem, memória e ancestralidade.
“Paulo César é um dos maiores letristas da música brasileira e uma referência profunda para nós. Existe uma força imagética e ancestral muito potente em sua escrita, que conversa diretamente com o universo que buscamos construir no Orimã”.
Trajetória e identidade do Duo Orimã
Formado oficialmente em 2025, com o lançamento do single “Quadro Negro”, o Duo Orimã vem consolidando uma identidade artística baseada na intersecção entre o cancioneiro popular brasileiro e as matrizes afro-brasileiras. Elementos de manifestações como jongo, congada, bumba-meu-boi e samba de roda atravessam o trabalho do grupo.
A espiritualidade ligada à Umbanda também aparece como um eixo importante, influenciando tanto a escolha do repertório quanto as temáticas abordadas nas composições e releituras. Essa dimensão espiritual não surge como elemento decorativo, mas como parte estruturante da linguagem artística do duo.
Os dois integrantes acumulam trajetórias marcadas por pesquisa e atuação na música brasileira. Nando Altenfelder é percussionista formado pela EMESP Tom Jobim e pela Faculdade Santa Marcelina, com atuação como arte-educador e participação em projetos e grupos de pesquisa musical, incluindo trabalhos ao lado de Fernando Barba. Entre 2022 e 2023, integrou o Grupo Bamburá como percussionista e arranjador. Em 2024, lançou o single “Benedito” e participou dos álbuns “Girada”, de Rodrigo Ciampi, e “Carcajú”, do Grupo Carcajú.
Lu Starzynski, por sua vez, é cantora formada em Canto Popular e pós-graduada em Pedagogia Vocal. Sua trajetória reúne trabalhos que articulam música, cena e tradição oral. Atuou em espetáculos da Cia. Giz de Cena, integrou o Grupo Sairá e criou, em 2019, o show “Lugar de Dentro”. Também participou do Grupo Bamburá entre 2022 e 2023, como cantora e arranjadora.
Em “Zumbi Bará / Dio Zambi”, essas experiências convergem em uma proposta estética que privilegia o encontro entre tradição e experimentação, mantendo como eixo central a escuta sensível e a construção coletiva de significado.
Serviço
- Lançamento: 5 de junho
- Pré-save: https://ps.algohits.com/zumbibaradiozambiorima
- Instagram: @orimamusica
- YouTube: https://www.youtube.com/@Orimã_musica

