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Instalação de 30 metros redefine experiência artística

Instalação de 30 metros redefine experiência artística

Uma instalação de 30 metros ocupa o centro de SP e mistura arte e física quântica em experiência imersiva inédita no Edifício Cotonifício.

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No coração do centro histórico de São Paulo, um prédio em reforma se transforma em um organismo vivo de arte. É ali que o artista Marcos Cavallaria apresenta uma de suas obras mais ambiciosas: uma instalação vertical de mais de 30 metros que ocupa o vão do elevador do Edifício Cotonifício, no Largo do Paissandu.

A obra integra a mostra “Para Falar de Amor – Do que somos capazes?”, dentro do projeto Kura, que propõe uma ocupação artística temporária sem fins lucrativos. O espaço, ainda em processo de transformação arquitetônica, vira laboratório criativo, onde produção, exposição e experimentação acontecem simultaneamente.

Arte que atravessa dimensões

Reconhecido por seu trabalho na fotografia e na publicidade — com nomes como Matthew McConaughey, Zac Efron e Kendall Jenner — Cavallaria amplia aqui sua pesquisa autoral. Ele cruza linguagens e desafia fronteiras ao integrar fotografia, tecnologia e conceitos da física quântica.

O resultado não é apenas visual. A proposta é sensorial. Projeções ao vivo, efeitos ópticos e lentes desenvolvidas pelo próprio artista criam uma experiência que altera a percepção do espectador. Luz e tempo deixam de ser apenas conceitos e passam a ser vividos.

“Vou combinar arte, ciência e fotografia para convidar as pessoas a refletirem e expandirem as fronteiras da expressão artística. Será uma oportunidade de perceber a relação entre realidade e dimensão por meio da luz e de efeitos ópticos únicos, algo que só pode ser sentido presencialmente.”

A fala de Cavallaria ajuda a dimensionar o que está em jogo: não se trata apenas de observar, mas de atravessar a obra.

Do Burning Man ao centro de São Paulo

Esta é a segunda participação do artista no espaço, mas em escala inédita. Seus trabalhos já passaram por eventos como Art Basel e Burning Man, onde produziu o curta-metragem KNIGHTVISION, que agora ganha uma premiere especial dentro da exposição.

O filme, criado em 2023, revisita a ideia de futuro a partir de um olhar contemporâneo. Três anos depois, ele retorna como ponto de partida para novas discussões, acompanhado de talk e performance, ampliando ainda mais o caráter vivo da mostra.

Além disso, Cavallaria apresenta séries inéditas que serão desenvolvidas ao longo do período expositivo. Ou seja, a exposição não é fixa: ela evolui, se transforma e se adapta ao espaço e ao público.

Um prédio em transformação

O Kura se estabelece justamente nesse território de transição. O Edifício Cotonifício, ainda em reforma, deixa de ser apenas estrutura física para se tornar parte da narrativa artística. Cada parede, cada vazio e cada altura contribuem para a experiência.

A proposta do projeto é clara: criar um ambiente onde diferentes práticas coexistam. Artistas produzem enquanto expõem, enquanto o público circula e interage com processos ainda em construção. Isso cria uma dinâmica rara, onde o inacabado ganha protagonismo.

No caso da instalação de Cavallaria, essa relação com o espaço é essencial. A verticalidade extrema da obra não apenas impressiona — ela altera a forma como o corpo se posiciona e percebe o ambiente.

Experiência que só existe ao vivo

Apesar do histórico internacional e da presença em grandes eventos, o artista reforça que essa é uma experiência impossível de ser traduzida completamente em imagens ou vídeos. A imersão depende da presença física, da escala e da interação direta com a luz e o espaço.

Essa característica dialoga com um movimento crescente na arte contemporânea: obras que não cabem na tela e que exigem deslocamento, tempo e atenção. Aqui, o público não é apenas espectador — é parte da obra.

Com ingressos acessíveis e sessões gratuitas em horários específicos, a exposição também amplia o acesso à arte experimental no centro da cidade, reforçando a importância de ocupar espaços urbanos com novas narrativas culturais.


Serviço


Instalação de 30 metros redefine experiência artística
Foto: Divulgação
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