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Mariana Matsui conecta Brasil e Japão em álbum com lendas da música

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A busca pela própria identidade ganhou melodias, ritmos e arranjos que cruzam o oceano em um encontro sonoro entre a música brasileira e a cultura japonesa, eternizado agora no primeiro álbum da cantora e compositora Mariana Matsui.

Lançado sob o selo da gravadora Rambling Records, o disco homônimo costura uma narrativa que reflete diferentes fases da trajetória da artista. Ao unir composições autorais inéditas e releituras marcantes, a obra transita com naturalidade pelas texturas da MPB, pela cadência da bossa nova e pelo groove característico do jazz e do soul. O lançamento resgata a valorização das mídias físicas no Japão, onde ganhará uma edição em CD nas principais lojas de música de Tóquio.

Eu sinto esse pertencimento às duas culturas, que podem coexistir, mesmo sendo tão distantes. Ser esse elo entre Brasil e Japão é muito especial, honra meus ancestrais e me ajuda a entender quem eu sou no mundo.

O repertório ganha ainda mais densidade com a presença de gigantes da música, refletindo as principais influências de Mariana Matsui. O trabalho conta com participações de Marcos Valle, Lisa Ono, Jaques Morelenbaum e Takuya Kuroda, resultando em uma sonoridade rica produzida por Big Rabello, com colaborações de arranjo do pianista Salomão Soares e de Mao Sone.

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Foto: Paulo Mancini

O peso da história e da censura em novas vozes

Um dos pontos altos do projeto é a nova roupagem para “Mentira”, composição de 1973 que marcou o período da ditadura militar no Brasil. A versão da cantora traz a participação do próprio Marcos Valle, autor da música ao lado de Paulo Sérgio Valle. O arranjo preserva a mensagem central que, segundo relatos revelados durante encontros no Rio de Janeiro, teve partes cortadas pela censura da época.

Ao visitar a casa do compositor após as gravações, a cantora ouviu elogios sobre a interpretação e a ousadia de dialogar com uma obra construída há mais de cinco décadas, mas que segue dialogando com o cenário contemporâneo de forma potente e necessária.

Conexão ancestral pela música asiática

Outro encontro simbólico se dá em “Kawa no nagare no yō ni”, um clássico da cultura nipônica lançado no fim da década de 1980 pela estrela Hibari Misora. Na voz de Mariana e com o violão de Lisa Ono — uma das maiores difusoras da música brasileira na Ásia — a faixa se transformou no primeiro single do álbum, embalada por uma atmosfera refinada de bossa nova e jazz.

O álbum passeia também por criações confessionais, como “Lullaby”, concebida após a descoberta de sua primeira gravidez. A canção foi registrada em um único take com o violoncelo de Jaques Morelenbaum e o piano de Salomão Soares. Há espaço ainda para as autorais “Olhos Morenos”, “Abençoa” e “Oxum (Tua Filha)”, esta última em parceria com Saulo Fernandes e Renato Iwai, além de releituras precisas como “Fotografia”, de Antonio Carlos Jobim.

Com sua experiência forjada entre estudos em São Paulo, apresentações em palcos ao redor do mundo e os prêmios conquistados nas paradas europeias, a artista inicia agora uma turnê internacional com shows programados para eventos tradicionais de Tóquio e Yokohama.

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Foto: Paulo Mancini

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Foto: Paulo Mancini
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