Concerto “M’Afrika” chega à Gamboa com travessia musical africana e reflexão sobre identidade e cultura no projeto A Toque de Caixa.
A Pequena África, no Rio, se prepara para uma noite de atravessamentos culturais. No dia 3 de maio, o cantor, compositor e escritor cabo-verdiano Mário Lúcio ocupa a Casa de Mystérios com o espetáculo “M’Afrika – Uma Viagem Musical por África”, em uma apresentação única que mistura música, memória e pensamento.
Antes do concerto, o público é convidado a mergulhar em outra dimensão do artista. Às 17h, acontece uma roda de conversa sobre o livro Manifesto a Crioulização, obra que propõe uma reflexão sobre identidade, mistura e pertencimento. Em seguida, às 19h, a palavra se transforma em som.
Música como travessia cultural
No palco, Mário Lúcio conduz uma jornada que atravessa o continente africano. Guiado por voz e violão, o repertório percorre diferentes matrizes culturais, passando pelo Norte da África, tradições mandingas, crioulas, bantu, wolof e zulu.
Mais do que um show, a proposta é criar conexões. Ao longo da apresentação, surgem diálogos com a música brasileira, especialmente com o Nordeste, revelando raízes compartilhadas que muitas vezes passam despercebidas.
Entre composições autorais e clássicos, o artista constrói uma narrativa que une história, identidade e musicalidade, em uma experiência sensorial e intelectual ao mesmo tempo.
Um pensamento sobre o mundo
O livro Manifesto a Crioulização, publicado pela Universidade de Coimbra, amplia esse olhar. Na obra, Mário Lúcio defende a crioulização como um paradigma humano baseado na mistura e na relação entre culturas.
Ao propor a ideia de uma “cultura dos afetos”, o autor sugere caminhos para enfrentar desigualdades, segregações e o racismo. Não se trata apenas de teoria, mas de uma visão de mundo construída a partir da experiência artística e política.
Esse diálogo entre reflexão e prática é justamente o eixo do encontro na Gamboa. A palavra abre caminhos que a música depois expande.
Trajetória que cruza fronteiras
Figura central da cultura cabo-verdiana, Mário Lúcio acumula uma trajetória múltipla. Cantautor, poeta, pintor e ex-ministro da Cultura de Cabo Verde entre 2011 e 2016, ele é também um dos compositores mais gravados do país.
Ao longo da carreira, construiu parcerias com nomes como Cesária Évora, Mayra Andrade, Manu Dibango, Toumani Diabaté, Harry Belafonte e Pablo Milanés. No Brasil, é admirado por artistas como Milton Nascimento, Djavan, Paulinho da Viola, Gilberto Gil e Chico César.
Com dez discos e dez livros publicados, sua obra circula por diferentes linguagens e países, sempre guiada por um princípio comum: a construção de pontes culturais.
Encontro na Casa de Mystérios
A apresentação integra a programação da 3ª edição do projeto “A Toque de Caixa”, com curadoria de Lígia Veiga e Pedro Lima. Em 2026, a iniciativa também celebra os 45 anos da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, reforçando seu papel como espaço de experimentação artística e diálogo entre territórios.
Para completar a experiência, o público poderá chegar mais cedo e aproveitar o bar “Quitutes da Floresta”, com cardápio inspirado na culinária amazônica, especialmente nos sabores da gastronomia paraense.
Serviço
- Data: 3 de maio (domingo)
- Local: Casa de Mystérios
- Endereço: Rua Pedro Ernesto, 21 – Gamboa, Rio de Janeiro
- Programação: 17h – Roda de conversa sobre Manifesto a Crioulização; 19h – Concerto “M’Afrika – Uma Viagem Musical por África”
- Bar “Quitutes da Floresta”: aberto uma hora antes, com comidas inspiradas nos sabores da floresta
- Ingressos: R$ 50 (bilheteria – PIX); R$ 45 (antecipado – @ciademysterios / producaociademysterios@gmail.com)
- Capacidade: 150 lugares
- Duração: 80 minutos
- Classificação: Livre

