Do axé ao sertanejo, gêneros brasileiros ganham espaço no exterior. Cantora Kaline Rabelo relata experiência na Europa e expansão da cultura nacional.
O mercado cultural europeu tem ampliado o espaço para apresentações de artistas brasileiros, impulsionando a exportação da música nacional. A cantora Kaline Rabelo explica como esse movimento vem abrindo novas oportunidades para quem busca uma carreira internacional.
A música brasileira segue conquistando o público global em um movimento contínuo de expansão. Se nos anos 1960 artistas como Tom Jobim, Astrud Evangelina e João Gilberto apresentaram a Bossa Nova ao mundo, a cena atual se renova com expoentes da música contemporânea que levam a brasilidade a novos palcos.
“A turnê foi a confirmação de que existe um interesse real pela música brasileira e, principalmente, pelo axé music.”
Para além dos gêneros consolidados por ícones históricos, a exemplo do samba de Carmen Miranda e Jorge Ben Jor e dos arranjos globais da Bossa Nova, estilos como forró, sertanejo, funk, frevo e o axé também integram programações culturais internacionais. Essa “diversidade” tem aberto oportunidades concretas para artistas que buscam expandir suas carreiras no exterior.
Do sertanejo ao axé: uma nova fase
É nesse cenário que a cantora e compositora de Feira de Santana, Kaline Rabelo encontrou a oportunidade de internacionalizar sua trajetória. Após construir carreira no sertanejo e lançar sucessos como o hit “Bilhete“, em parceria com Maria Cecília & Rodolfo, e “Desaprendi a Ser Solteiro“, a artista iniciou uma nova fase dedicada ao axé music.
A mudança resultou na criação do projeto Soul Axé, homenagem aos 40 anos do movimento musical, e recentemente levou Kaline ao circuito Eurofollia, com apresentações nas cidades de Lisboa, Porto e Milão.
“A turnê foi a confirmação de que existe um interesse real pela música brasileira e, principalmente, pelo axé music. Eu imaginava encontrar brasileiros com saudade de casa, mas me surpreendi ao ver muitos europeus curiosos para entender a história do axé, perguntando sobre os artistas, sobre o Carnaval e sobre a origem daquele movimento. Foi muito bonito perceber que nossa música desperta esse interesse e consegue criar conexões mesmo com pessoas que não falam a nossa língua. O palco acabou se tornando um espaço de troca cultural”, relata a cantora.
Raízes baianas em palcos europeus
Segundo Kaline, a experiência também representou um novo momento para sua carreira. Após anos dedicados ao sertanejo, a cantora decidiu investir na identidade musical que sempre fez parte da sua formação artística, aproximando o público de um repertório que reúne clássicos do axé e interpretações contemporâneas. A artista passa a ocupar um espaço de circulação internacional em um momento em que o axé music segue mobilizando públicos para além da Bahia.
“O sertanejo foi muito importante para minha história, foi através dele que gravei músicas que marcaram essa trajetória. Mas eu sempre carreguei a Bahia comigo.”
“O sertanejo foi muito importante para minha história, foi através dele que gravei músicas que marcaram essa trajetória. Mas eu sempre carreguei a Bahia comigo. O Soul Axé nasceu justamente deste desejo de voltar às minhas raízes e mostrar que o gênero continua vivo, dialogando com novas gerações e também com públicos de outros países. Volto ao Brasil com a certeza de que existe espaço para o axé fora do país e com muita vontade de construir essa ponte entre a Bahia e a Europa”, afirma.
Conexões que atravessam fronteiras
Além dos shows, a passagem pelo velho continente permitiu que a artista estreitasse relações com produtores, empresários e organizadores de eventos internacionais. Durante a passagem pela Europa, Kaline participou de um encontro com a banda Resenha do Samba do Porto na festa ‘Samba no Porto’, fortalecendo sua relação com artistas e produtores que movimentam a cena brasileira em Portugal.
A experiência abre novas possibilidades para a cantora, que já prepara uma música inédita pensada especialmente para o público internacional.
“A internacionalização não acontece apenas quando fazemos um show fora do Brasil. Ela acontece quando construímos relacionamentos, mostramos a força da nossa cultura e fazemos com que as pessoas queiram conhecer mais sobre ela. Ouvir as pessoas dizendo que se sentiram na Bahia através da nossa música foi emocionante. Esse carinho mostrou que o axé continua atravessando fronteiras. Quero que esse seja apenas o início de uma história ainda maior”, conclui.
Serviço
- Projeto: Soul Axé – 40 anos do axé music
- Turnê internacional: Eurofollia (Lisboa, Porto e Milão)
- Artista: Kaline Rabelo (Feira de Santana/BA)
- Hit sertanejo: “Bilhete” (com Maria Cecília & Rodolfo)
- Próximo lançamento: música inédita para público internacional



