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Nenê Trio resgata show inédito de 2010 em novo álbum

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Um registro ao vivo guardado por mais de uma década ganha nova vida com o lançamento de Sessões Selo Sesc #18: Nenê Trio (ao vivo no Sesc Pinheiros 28.7.2010). Disponível nas principais plataformas a partir de 29 de maio, o álbum captura um momento decisivo na trajetória do grupo liderado pelo baterista Nenê, revelando a força criativa de um trio em transformação.

Gravado no Teatro do Sesc Pinheiros, o show reúne composições que mais tarde integrariam o disco Inverno (2013), além de uma faixa inédita. O lançamento integra a série Sessões Selo Sesc, dedicada a registrar apresentações ao vivo que revelam diferentes momentos da música brasileira contemporânea.

Um retrato de transição sonora

Em 2010, o Nenê Trio atravessava uma fase de mudanças profundas na forma de construir sua música. A gravação documenta justamente esse período em que o grupo passou a investir com mais intensidade na polirritmia e na improvisação coletiva.

O repertório, composto integralmente por Nenê, foi pensado como ponto de partida para uma nova abordagem. Em vez de arranjos rígidos, as composições funcionam como estruturas abertas, permitindo que os músicos explorem caminhos diferentes a cada execução.

“Foi uma mudança na forma de execução das músicas, mais polirrítmica e com muita improvisação coletiva. A composição não fica fixada no arranjo, permitindo que a escrita seja apenas um ponto de partida para uma criação livre.”

A formação da época reunia Nenê na bateria, Alberto Luccas no contrabaixo e Irio Júnior no piano. Atualmente, o piano é executado por Edson Sant’Anna, mantendo a continuidade do projeto iniciado em 2001.

Energia coletiva e entrosamento

O registro também evidencia o entrosamento do trio naquele momento. Com ensaios semanais e uma agenda intensa de apresentações, os músicos chegaram ao palco com um nível de interação que se traduz diretamente na gravação.

Segundo o contrabaixista Alberto Luccas, essa sintonia é um dos pilares do grupo. A ideia de funcionar como uma unidade única, mesmo sendo três instrumentistas, aparece como característica central da sonoridade do Nenê Trio.

“Estávamos nos apresentando bastante e muito afiados, do jeito que tem que ser e soa na gravação, um trio de uma pessoa só tocando.”

Essa dinâmica coletiva é reforçada pela liberdade de improvisação, que permite que cada apresentação tenha nuances próprias, sem perder a identidade do grupo.

Faixas que revelam a essência do trio

O álbum apresenta quatro composições que sintetizam diferentes aspectos da linguagem do Nenê Trio. A abertura fica por conta de Inverno, uma balada que valoriza o espaço e a respiração musical — elementos que o baterista considera fundamentais para a expressão artística.

A faixa inédita Eu acho que você devia comprar o contrabaixo surge de uma história pessoal e bem-humorada envolvendo Alberto Luccas. A composição reflete não apenas o espírito leve do trio, mas também a proximidade entre os músicos.

Qui Jaiss traz uma abordagem mais veloz, com forte influência do jazz e um jogo sonoro no título que remete à expressão “que jazz!”. A música traduz o gosto do trio por desafios técnicos e improvisação.

Encerrando o disco, Jongo II mergulha em referências brasileiras, dialogando com experiências anteriores de Nenê, especialmente sua passagem ao lado de Hermeto Pascoal, ainda que mantendo uma identidade própria.

Trajetória e legado de Nenê

Realcino Lima Filho, o Nenê, é um dos nomes mais respeitados da música brasileira. Com mais de cinco décadas de carreira, construiu um percurso que atravessa diferentes gerações e estilos, sempre mantendo uma assinatura musical própria.

Ao longo de sua trajetória, participou de projetos fundamentais da música brasileira, ao lado de artistas como Hermeto Pascoal, Elis Regina, Egberto Gismonti e Milton Nascimento. Também desenvolveu uma carreira internacional, com destaque para o período em que viveu em Paris e lançou o álbum Bugre, reconhecido pela crítica francesa.

Desde a criação do Nenê Trio, em 2001, o músico vem consolidando um trabalho que combina virtuosismo, improvisação e forte identidade rítmica, explorando as possibilidades entre o jazz e os ritmos brasileiros.

Selo Sesc e preservação musical

O lançamento integra o catálogo do Selo Sesc, que desde 2004 se dedica a documentar e difundir a diversidade da produção artística brasileira. A série Sessões Selo Sesc reforça esse compromisso ao resgatar apresentações ao vivo que ajudam a compreender diferentes momentos da música nacional.

Com edições que transitam entre o registro histórico e a produção contemporânea, o selo atua como um espaço de memória e inovação, reunindo projetos que dialogam com múltiplas linguagens e públicos.

O novo álbum do Nenê Trio se insere nesse contexto como um documento artístico que não apenas revisita o passado, mas também evidencia a continuidade de uma proposta musical que segue em constante evolução.


Serviço

Nenê Trio resgata show inédito de 2010 em novo álbum
Foto: Divulgação
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