Quinze anos depois de seu último disco de estúdio, o Rancore retorna com BRIO, um trabalho que nasce com uma missão clara: traduzir para o estúdio a intensidade crua que sempre definiu a banda nos palcos. O lançamento marca também a entrada do grupo no catálogo do NRC+, com direito a prensagem em vinil e pré-venda já disponível.
Mais do que um novo álbum, BRIO representa um acerto de contas artístico. Ao longo da própria trajetória, os integrantes passaram a sentir que os registros anteriores não capturavam com fidelidade a energia que construíram ao vivo. Agora, o quinteto paulistano acredita ter encontrado esse ponto de convergência.
Um retorno moldado pelo tempo
Quando entrou em hiato em 2014, o Rancore parecia encerrar um ciclo sem garantias de retomada. A própria banda associa esse momento à teoria do caos — a ideia de que pequenas mudanças podem desencadear consequências imprevisíveis. O retorno, mais de uma década depois, surge como um desdobramento direto dessa lógica.
Durante esse período, cada integrante seguiu caminhos distintos. Candinho Uba mergulhou em experiências sonoras na Alemanha, enquanto Gustavo Teixeira explorou o universo eletrônico nos Estados Unidos, resultando no projeto Nuven. Ale Iafelice gravou com Supla e participou do Sala Espacial ao lado de Rodrigo Caggegi e Teco Martins, que por sua vez se dedicou à agrofloresta no interior de São Paulo.
Apesar das distâncias e transformações pessoais, a música permaneceu como elo. Esse acúmulo de vivências acabou se tornando combustível criativo para o novo disco.
A força dos palcos como ponto de partida
O impulso definitivo para BRIO veio da estrada. Entre 2023 e 2024, o Rancore voltou a se apresentar em mais de 30 shows pelo país. Foi nesse reencontro com o público que a banda redescobriu sua própria potência.
“Buscar a intersecção do que os cinco gostam e acreditam foi quase um milagre, mas conseguimos”, afirma Teco Martins. A declaração resume o espírito do disco: um trabalho coletivo, construído a partir de afinidades reconectadas após anos de experiências individuais.
“A gente acredita muito nesse disco, em cada uma dessas dez faixas. O amor veio renascido, depois das lágrimas e transformações que a gente teve nas vidas pessoais.”
Essa carga emocional também aparece na sonoridade. Segundo Teco, o objetivo era resgatar a essência mais “suja” e agressiva da banda — características que, segundo ele, não estavam plenamente representadas nos discos anteriores.
“O Rancore é uma banda suja, uma banda agressiva. Os outros discos até têm isso, claro, mas soam um pouco mais limpos do que a gente era”, explica o vocalista.
Produção e encontros decisivos
Para alcançar essa sonoridade mais fiel, a banda contou novamente com Guilherme Chiappetta na produção. Presente também em Liberta (2008) e Seiva (2011), ele é descrito como peça-chave no processo criativo.
A relação entre produtor e banda é antiga e pessoal, o que, segundo Teco, faz toda a diferença. “Ele viu a nossa banda nascer, é o único produtor possível para o Rancore, o único que entende nossas nuances psicológicas e como ligar cada um de nós.”
Na mixagem, o nome de Daniel Pampuri adiciona outra camada relevante ao projeto. O engenheiro de som havia trabalhado recentemente com Beyoncé no álbum Cowboy Carter (2024), além de colaborar com Post Malone, quando se aproximou do Rancore.
O envolvimento veio de um desejo antigo. Pampuri procurou a banda ao saber da turnê de 2024 e se ofereceu para participar de um possível álbum — antes mesmo de BRIO existir oficialmente.
Uma capa que resgata origens
Pela primeira vez, o Rancore escolheu uma fotografia para estampar a capa de um disco. A imagem carrega um peso simbólico significativo: foi feita por David Uba, pai de Candinho, nos anos 1970.
O registro, inicialmente rejeitado pelo autor devido a imperfeições no processo de revelação caseira, permaneceu guardado por anos. O mesmo espaço onde a foto foi produzida viria a ser usado, mais tarde, para os primeiros ensaios da banda.
Foi durante o processo de criação de BRIO que Candinho redescobriu a imagem. A conexão entre passado e presente tornou inevitável sua escolha como capa.
“As fotos do seu pai significam muito mais do que tudo isso. Seu pai abriu espaço da casa dele pra gente começar a banda, ele é um grande mestre na nossa vida.”
As imperfeições da fotografia também dialogam com o conceito do álbum. Para a banda, os “erros” revelam texturas e camadas que reforçam a ideia de que há beleza na falha — um princípio que atravessa tanto a estética quanto a narrativa do disco.
Entre influências e vida real
Embora BRIO dialogue com referências literárias como Fiódor Dostoiévski, José Saramago e Gabriel García Márquez, Teco deixa claro que a principal fonte de inspiração está na experiência cotidiana.
As histórias pessoais, os encontros, as perdas e os afetos são o material que sustenta o disco. É nesse território que o Rancore constrói sua identidade, transformando vivências em intensidade sonora.
“As histórias, as dores, os amores. Os sorrisos e as lágrimas, tanto de felicidade quanto de tristeza. No final, na ponta da caneta, o que vai sair é a arte na sua forma natural mesmo”, resume o vocalista.
Serviço
- Álbum: BRIO (2026)
- Banda: Rancore
- Formato: Vinil (LP preto com pôster e capa com cinta)
- Disponível em pré-venda: https://www.noizerecordclub.com.br/pages/nrcmais

Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊
