Quase três décadas de experimentações musicais, tradições populares e conexões latino-americanas convergem na nova fase de estrada de Ricardo Ulpiano.
Composições concebidas entre 2002 e 2026 ganham leitura cênica articulada para costurar temas como território, memória e deslocamento. A produção marca a retomada das apresentações autorais do artista após anos dedicados à direção, produção e criação para projetos paralelos.
As músicas que compus em diferentes momentos carregavam relações entre território, ancestralidade, América Latina, afetos e deslocamentos. ‘Mezcla’ nasce justamente da vontade de transformar tudo isso em uma linguagem única.

O encontro entre matrizes sonoras e literatura
O repertório reúne canções inéditas e arranjos reestruturados que dialogam com a formação de Ricardo Ulpiano. A vivência na infância com as guardas de congado e as folias de reis funde-se à bagagem obtida no rock e a intercâmbios com instrumentistas de Argentina, Uruguai, Colômbia e Chile.
O roteiro apresenta faixas como “Ipê”, delineada pelas paisagens de Minas Gerais; “Gabiroba”, inspirada no núcleo feminino de sua família; e “Me Calo”, escrita após passagens pela América do Sul sob o impacto do cenário político da região. Outras criações autorais incluem “Janelas”, “Niña del Tiempo” e “Poeira”, finalizada durante estadia em território colombiano.
A literatura também orienta o alinhamento das faixas. A canção “Ponciá Vicêncio”, desenvolvida em parceria com Rita Silva a partir do romance da escritora Conceição Evaristo, conta com a participação de Ravi Cappuccio, filho do músico. A presença em cena reforça o eixo de continuidade e memória geracional abordado na obra.

Concepção cênica e circulação
Para construir a narrativa dramática do espetáculo, os arranjos alternam pulsações rítmicas e dinamismo intimista. A direção musical é assinada por Thiago Peixoto, com concepção de palco orientada pela diretora de cena Violeta Penna. A instrumentação é executada pelo trio Daniel Tamietti no violoncelo, Anna Lages na percussão e Igor Canto ao violão.
O retorno aos palcos encabeçado no Teatro Marília, no dia 3 de outubro de 2026, projeta o início de uma temporada planejada para transitar por diferentes teatros e festivais. A montagem integra a programação cultural de Belo Horizonte viabilizada por meio de ocupação pública municipal.
Serviço
- Data: 3 de outubro de 2026
- Horário: 20h
- Local: Teatro Marília (av. Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia, Belo Horizonte)
- Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)
- Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/124945
- Classificação indicativa: Livre
- Realização: QuinTao Produções
- Apoio cultural: Fundação Municipal de Cultura e Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte
