Nem a chuva foi capaz de esfriar os milhares de fãs que esgotaram os ingressos neste domingo, consolidando um dia histórico onde as batidas eletrônicas e a nostalgia pop dominaram todos os espaços do evento.
A quebra de paradigmas marcou o encerramento da noite principal. Pela primeira vez na trajetória do festival, um DJ assumiu a cobiçada posição de headliner no Palco Mundo. Comandando um espetáculo de luzes, lasers e projeções visuais imersivas, Calvin Harris arrastou uma legião de pessoas que pulou e dançou ao som de batidas globais. A apresentação emblemática coroou as celebrações dos 25 anos da música eletrônica no evento, no dia 6 de setembro de 2026.
Colocar um DJ é uma escolha inusitada para um festival que vem do rock, com toda uma história desde 1985, mas a música é uma linguagem realmente diversa e simultânea.

Retornos catárticos e sotaque carioca

Antes do encerramento eletrônico, o Black Eyed Peas entregou uma das performances mais enérgicas do domingo. Will.i.am, apl.de.ap, Taboo e J. Rey Soul enfileiraram clássicos que levantaram a multidão. O grupo fez questão de se conectar com a cultura local ao convidar Papatinho para uma versão de “Rap do Silva” e apresentar ao público a faixa inédita “We live up in here”.

A nostalgia dos anos 2000 também teve espaço garantido com a estreia do rapper Nelly. Vestindo a camisa do Brasil, ele presenteou os fãs com sucessos atemporais como “Dilemma” e “Ride With Me”, pedindo que a plateia iluminasse o local com as lanternas dos celulares.

Mais cedo, abrindo os trabalhos do espaço, o Barão Vermelho reuniu sua formação original, com Roberto Frejat e convidados, resgatando clássicos do rock nacional e homenageando a figura de Cazuza.

O síndico vive e o R&B resiste

No Palco Sunset, a emoção tomou conta com a homenagem do Jota Quest ao lendário Tim Maia. A banda mineira repassou os hinos do cantor e protagonizou um dos momentos mais arrepiantes da edição ao chamar para os microfones o veterano Tony Tornado. Aos 97 anos, um dos principais precursores da black music no país emprestou sua voz ao clássico “Sossego”, levando a plateia ao delírio.

O encerramento do Sunset ficou a cargo de NE-YO, que desceu até a grade para interagir com o público de perto, desfilando clássicos do R&B como “So Sick” e “Closer”.

O espaço ainda foi palco do peso sonoro do BaianaSystem, que misturou referências folclóricas com as participações de Alice Carvalho e Ranking Joe, além da estreia do duo português Calema, que trouxe o cantor Dilsinho como convidado especial.
Pulsar ininterrupto e votos no altar da música




A pista do New Dance Order não teve pausas. O movimento “Dance For a Better World” abriu os trabalhos com um balé de luzes e mensagens de conscientização, abrindo caminho para sets pulsantes de nomes como Sofi Tukker, Casa Bonita, Liu e o trio MEDUZA.



Nos palcos paralelos, a diversidade ditou o tom: o Espaço Favela vibrou com o rap de Xamã, o Supernova celebrou os 50 anos dos Ramones ao som de João Gordo, e o Global Village mesclou a herança brasileira de Flor Gil ao pop árabe do astro Mohamed Ramadan.



Provando que os grandes eventos são feitos de conexões humanas, o espaço Rota 85 serviu de cenário para a união de Daniela Andrade e Dany Edson. Juntos há 22 anos, o casal escolheu o dia da apresentação de NE-YO — artista que embalou o início do romance e do qual são membros do fã-clube oficial — para renovar seus votos de casamento em uma cerimônia que emocionou quem circulava pela Cidade do Rock.