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Simone estreia turnê com casa cheia e repertório novo

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Com ingressos esgotados na estreia, Simone inaugura uma fase que troca o conforto do clássico pelo risco do novo e reposiciona sua presença em cena.

A noite de 1º de agosto marcou o ponto de virada. No Tokio Marine Hall, em São Paulo, Simone apresentou “Que mulher é essa?!” com uma decisão clara: não celebrar o passado de forma previsível. Em vez disso, reorganiza o repertório e a própria imagem para tensionar o lugar que ocupa há cinco décadas.

O espetáculo nasce de uma colaboração direta com Ana Frango Elétrico, responsável pela direção musical e arranjos, e Ronaldo Fraga, que assina direção artística e figurinos. A luz de Mari Pitta, em diálogo com o cenário concebido com Fraga, constrói uma atmosfera que acompanha essa reconfiguração no palco.

“Minha história é atravessada por muitas mulheres — e é com elas que eu subo ao palco.”

O eixo emocional do show aparece em um discurso em que Simone enumera referências que moldam sua trajetória. Entre nomes como Maria da Penha, Rita Lee, Gal Costa, Elis Regina, Dona Onete, Elza Soares, Fernanda Montenegro e Marielle Franco, a cantora costura gerações e áreas distintas para afirmar uma identidade construída em coletivo — incluindo a própria mãe, Letícia.

Um repertório que cruza épocas sem buscar conforto

A seleção de músicas evita a lógica de “maiores sucessos” e aposta em encontros menos óbvios. Clássicos como “Jura secreta”, “Iolanda” e “Maria Maria” convivem com “Quando eu te conheci”, de Dona Onete, e “Mulher homem bicho”, de Ana Frango Elétrico e Ava Rocha. O efeito é de deslocamento: o público reconhece, mas não encontra repouso.

No palco, a cantora é acompanhada por Chico Lira (piano), Giordano Bruno (baixo), Vitor Cabral (bateria) e Filipe Coimbra (violão e guitarra). A banda sustenta a fluidez entre décadas e estéticas, reforçando a ideia de continuidade em transformação.

Depois da estreia, a estrada

A apresentação em São Paulo abre uma circulação nacional que passa por diferentes capitais ao longo dos próximos meses. A turnê mantém a proposta de leitura contemporânea do repertório, com o mesmo núcleo criativo e formação de palco.

O resultado é um espetáculo que não busca acomodar a memória do público, mas deslocá-la — e, nesse movimento, reafirmar a artista como presença ativa no presente.


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