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Sylvio Fraga encerra ocupação artística no Recipiente Porongo

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Sylvio Fraga fecha a ocupação artística de Sergio Krakowski e Bernardo Ramos no Recipiente Porongo, em Botafogo, reunindo canção, poesia e improvisação em uma noite que enfatiza criação coletiva e música em tempo real.

O cantor, compositor e poeta Sylvio Fraga é o convidado da noite final da temporada da ocupação artística conduzida por Sergio Krakowski e Bernardo Ramos, no Recipiente Porongo, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. O encontro encerra o ciclo de apresentações que vem promovendo cruzamentos inéditos entre artistas ligados à Gravadora Rocinante, com foco na música brasileira contemporânea.

A apresentação está marcada para o dia 21 de agosto e nasce com uma proposta clara: abrir espaço para improvisação, criação coletiva e novas possibilidades sonoras acontecendo ali, diante do público, em tempo real. Os ingressos custam R$ 35 e estão à venda pela plataforma Sympla.

“A ideia é criar um espaço onde a música possa acontecer de maneira aberta, sem fórmulas pré-definidas, permitindo que improvisação, composição e diferentes linguagens convivam naturalmente”, comenta Bernardo Ramos.

Ao longo da temporada, a ocupação transformou o Recipiente Porongo em um ponto de encontro para artistas que têm tensionado fronteiras entre canção, música instrumental, tradição e liberdade criativa. Com Sylvio no encerramento, o projeto destaca justamente essa passagem entre o repertório autoral e uma abordagem mais livre da performance.

Trajetória entre canção, improviso e palavra

Carioca, Sylvio Fraga estreou em disco com Rosto (2012), trabalho marcado por amplas seções instrumentais, imprevisibilidade rítmica e um frescor jazzístico que ressoou tanto na escrita das músicas quanto na forma de apresentá-las ao vivo.

Essas características se aprofundaram em Cigarra no Trovão (2015), álbum que o levou a circular por cerca de vinte cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. As apresentações incluíram formatos pouco usuais, como shows realizados sobre um caminhão-palco, aproximando a música de diferentes públicos e espaços urbanos.

Em Canção da Cabra (2019), a parceria com o maestro Letieres Leite se tornou um dos encontros mais celebrados da música instrumental brasileira recente, colocando em diálogo a escrita de Sylvio com a força das linguagens rítmicas afro-brasileiras trabalhadas por Letieres.

Já em Robalo Nenhum (2022), quarto álbum da carreira, a herança percussiva afro-baiana absorvida nesse período aparece plenamente incorporada à sua canção, deslocando o campo melódico e harmônico a partir da pulsação dos tambores e da escuta das matrizes afro-brasileiras.

Do trio Mocofaia às parcerias em estúdio

Em 2024, Sylvio formou o trio Mocofaia ao lado do percussionista Luizinho do Jêje e do pianista Marcelo Galter. O grupo desenvolve uma música afro-brasileira atravessada por experimentações sonoras ousadas, expandindo o diálogo entre percussão, piano e voz.

Além da atuação como compositor, cantor e poeta, Sylvio também se envolve diretamente na produção de outros trabalhos. Ele assina coproduções de discos de artistas como Marcelo Galter, Bernardo Ramos, Erika Ribeiro, Letieres Leite e Jards Macalé, movimentando bastidores e processos de gravação ligados à cena contemporânea.

“Cada convidado traz um universo próprio e isso transforma completamente a experiência de cada apresentação”, completa Sergio Krakowski, ao comentar a ocupação e seus desdobramentos no Recipiente Porongo.

No Recipiente Porongo, o show de encerramento será dedicado a reunir as duas faces da produção de Sylvio Fraga: a canção e a poesia. A proposta é dar corpo à palavra e ao som de forma integrada, mantendo aberta a possibilidade de caminhos improvisados e de construção coletiva em cena.

Ao fechar a temporada, o projeto sublinha o papel dos artistas da Gravadora Rocinante na construção de novos olhares para a música brasileira contemporânea. São encontros que transitam da canção à música instrumental, articulando referências de tradição com estratégias de experimentação e uma prática constante de liberdade criativa.

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