Viégas transforma o terror das enchentes no RS em YAKECAN, álbum que distorce raízes brasileiras em um grito de colapso antrópico e violência eterna.
O dilúvio que devastou o Rio Grande do Sul inspira cada nota de YAKECAN, novo disco de Viégas. Sem conforto ou paz, a obra surge de uma imersão nas matrizes da música brasileira — afro-diaspóricas, indígenas e ibéricas.
Raízes distorcidas no Antropoceno
Essas heranças não são homenagens passivas. Elas viram matéria viva, tensionada e rompida. YAKECAN reflete o Brasil contemporâneo em fricção: violência estrutural, vazio simbólico e colapso constante.
A experiência das enchentes impregna tudo. Um mundo sem horizonte, onde catástrofes viram rotina no Antropoceno. Sons exaustos, ritmos sufocantes capturam essa tormenta.
A violência não é tema. É força formal, na textura instável e na ruptura sem fim.
O nome YAKECAN evoca o ciclone subtropical no sul. Aqui, simboliza colapso recorrente, uma força que não cessa.
Repertório completo
Todas as faixas são de Viégas:
YAKECAN
TREMETREME
SEMPRE FOI HOSTIL
KARKARÁ
YA’LUZIA
TUMTUYUTÍ
PARTE O EQUINÓCIO
RASGO MEU PULSO
VENID A SOSPIRAR
KHAMSIN
HADEANO
Foto: Divulgação

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