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Zeca, Alcione e Jorge Aragão lotam o Maracanã na estreia histórica da turnê

Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão abriram a turnê O Maior Encontro do Samba com um recado claro logo na primeira noite: o samba continua sendo um gênero capaz de mobilizar multidões. No Maracanã, diante de 65 mil pessoas, os três artistas transformaram a estreia da nova tour em uma celebração de repertório, memória e afeto, com participação especial de Martinho da Vila.

Realizado pela 30e e com apresentação do Itaú Live, o espetáculo marcou o início de uma rota que vai passar por sete capitais brasileiras. A estreia aconteceu neste sábado (6), no Rio de Janeiro, e já começou em clima de coro coletivo, com o público pronto para responder à proposta de “Mutirão de Amor” que ecoou no estádio.

Uma estreia à altura dos três sambistas

Quando subiram ao palco, Zeca, Alcione e Jorge Aragão encontraram uma plateia completamente entregue. A resposta veio cedo, com reverência entre os artistas e uma sequência de momentos em que o humor, a troca e a espontaneidade deram o tom da apresentação. A primeira impressão foi de um encontro entre amigos que também dividem um capítulo central da música brasileira.

Alcione resumiu o clima de celebração ao dizer: “É uma honra cantar com esses dois”. Zeca respondeu com a leveza que marcou toda a noite: “Não vou sentar longe de você”. A interação entre os três se manteve ao longo do show, reforçando a sensação de que a estreia não era apenas um concerto, mas uma grande roda de samba levada ao maior estádio do país.

Em “Eu e Você Sempre”, Jorge Aragão convocou o Maracanã lotado para cantar junto um de seus clássicos, ampliando ainda mais a energia do público. A sequência abriu espaço para uma apresentação que alternou emoção, brincadeira e reconhecimento mútuo entre artistas que carregam décadas de história.

Clássicos, homenagens e afeto

Vestida em homenagem a Dona Ivone Lara, Alcione apresentou “A Loba” sob uma reação efusiva do público, que acompanhou cada verso com entusiasmo quase teatral. Ao final, Jorge Aragão brincou: “Zeca, ela pega pesado!”, numa dessas trocas que ajudam a explicar a química entre os três no palco.

Nem mesmo Zeca Pagodinho escondeu a empolgação ao ouvir “Sufoco”, apontada por ele como sua música favorita de Marrom, como já afirmou em outras ocasiões. O repertório também abriu espaço para “Não Sou Mais Disso”, em um momento de risadas e interação com a banda, além de “Lama nas Ruas”, de Almir Guineto, acompanhada por imagens do sambista nos telões. Depois da canção, Jorge Aragão resumiu a homenagem com uma frase simples: “Ele era o último romântico”.

A atmosfera de festa se espalhou por todo o espetáculo, sustentada por um setlist com mais de 30 músicas e mais de duas horas de show. Entre os destaques, estiveram “Você Me Vira A Cabeça”, “As Rosas Não Falam”, “Meu Ébano”, “Deixa A Vida Me Levar” e “Vou Festejar”, além de outras canções que ajudaram a costurar a memória afetiva de diferentes gerações.

Martinho da Vila amplia o encontro

A estreia ganhou ainda mais força com a participação especial de Martinho da Vila. Sorridente e à vontade no palco, ele afirmou: “É muito emocionante estar aqui cantando para vocês com meu amigo Jorge, minha comadre Alcione e meu parceiro Zeca”. Depois da participação, puxou uma cadeira e sentou ao lado do trio, formando um quarteto que arrancou aplausos sucessivos da plateia.

Martinho levou ao Maracanã sucessos como “Canta Canta, Minha Gente”, “Disritmia”, “Ex-Amor” e “Mulheres”. A presença dele também rendeu elogios dos anfitriões, como quando Jorge Aragão disse: “Esse é o professor da gente”. No encerramento, a combinação entre gerações e trajetórias reforçou a proposta do projeto de celebrar o samba como linguagem viva e compartilhada.

O ato final reuniu clássicos indispensáveis como “Não Deixe o Samba Morrer”, “Camarão Que Dorme a Onda Leva” e “Vou Festejar”, com o público cantando em coro versos que já fazem parte da história da música popular brasileira. A intensidade da resposta do estádio ajudou a consolidar a sensação de estreia grandiosa, daquelas que começam grandes e terminam ainda maiores.

Direção, cenário e próximos passos

Pretinho da Serrinha assinou a direção musical e ajudou a costurar a atmosfera de festa que tomou conta da noite. Já a direção artística, de Leninha Brandão, destacou o legado dos artistas e a beleza da simplicidade que sustenta o samba, com cenografia inspirada em quintais e cenas do cotidiano brasileiro.

Fotografias de Zeca Pagodinho, Alcione e Jorge Aragão ainda jovens reforçaram a dimensão da carreira de cada um e a permanência de suas contribuições para o gênero. A abertura ficou por conta de Arlindinho, em um tributo a Arlindo Cruz que revisitou a obra do pai e adicionou outra camada de emoção à noite de estreia.

O Maior Encontro do Samba segue pelos próximos meses com novas datas em São Paulo, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador. Entre os convidados já confirmados estão Martinho da Vila, Seu Jorge, Alexandre Pires, Péricles e Gilberto Gil, em uma agenda que amplia a proposta do projeto e reforça seu peso no calendário de shows de 2026.


Serviço

Zeca, Alcione e Jorge Aragão lotam o Maracanã na estreia histórica da turnê
Foto: Divulgação

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