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O livro que expõe o lado humano e sombrio do cuidador

O livro que expõe o lado humano e sombrio do cuidador

Cacau Nazar transforma julgamentos cotidianos em ficção poderosa: “O Cuidador” acompanha Rubinho entre a empatia, a ganância e as escolhas impossíveis de quem cuida.

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Há uma cena comum em muitos lares brasileiros: alguém observa o cuidador da casa e murmura uma crítica rápida, um julgamento que nunca chega aos ouvidos de quem trabalha. Foi exatamente nesse espaço — o das opiniões não ditas — que o publicitário e escritor Cacau Nazar encontrou o ponto de partida para seu novo livro.

“O Cuidador: O valor de uma vida”, publicado pela Editora Autografia, é uma coletânea de narrativas ficcionais que acompanha Rubens Pereira da Silva, o Rubinho, desde seus primeiros passos na profissão até os momentos em que ele mesmo precisa se olhar no espelho e decidir quem quer ser.

De filho dedicado a profissional ambíguo

Rubinho começa a trabalhar como cuidador depois de anos ao lado da própria mãe, Dona Ema. É uma origem que carrega tanto vocação quanto trauma. Quando ele passa a atender outros pacientes — o Sr. Afrânio, Dona Laura e outros —, cada novo vínculo impõe desafios que vão muito além do físico.

Ao longo dos capítulos, o personagem se transforma. O jovem sensível e presente vai dando lugar a um profissional experiente, mas também marcado por situações de ganância, manipulação e decisões eticamente questionáveis. Nazar não poupa o protagonista e, com isso, não poupa o leitor.

Quem tem um cuidador em casa às vezes pode pensar coisas como: ‘Esse cuidador é fraco’ ou ‘Esse cuidador é folgado’. Pensamentos julgadores como esses me ajudaram a construir o Rubinho. Foi carregado de críticas infundadas que criei o personagem. Seria ele simplesmente uma resposta a quem julga sem razão ou apenas a emoção de quem sabe quem sofrerá uma perda iminente? — Cacau Nazar, empresário, publicitário e escritor

Onde o cuidado e o interesse se confundem

Um dos eixos mais delicados do livro é a fronteira emocional entre cuidador e paciente. Nazar explora como a convivência intensa pode gerar laços genuínos, mas também dependências, conflitos de interesse e situações em que o afeto e a conveniência se misturam de forma difícil de separar.

Essa ambiguidade não é tratada como defeito da narrativa — ela é o coração do livro. A obra convida o leitor a resistir ao julgamento fácil e a considerar as condições reais em que esses profissionais trabalham: longas jornadas, vínculos afetivos intensos, remuneração muitas vezes incompatível com a responsabilidade exigida.

Quatro décadas de publicidade, agora na literatura

Anthonio Carlos Nazar, o Cacau, é jornalista e publicitário formado pela ESPM. Por mais de quarenta anos, dirigiu e criou campanhas premiadas com uma linguagem que sempre soube ser direta, bem-humorada e humana ao mesmo tempo. Na literatura, ele mantém essa mesma pegada: textos que não intimidam, mas que deixam marca.

Com narrativa fragmentada em episódios e linguagem acessível, “O Cuidador” funciona tanto para quem já conviveu de perto com essa realidade quanto para quem nunca parou para pensar no que está por trás desse trabalho invisível.


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O livro que expõe o lado humano e sombrio do cuidador
Foto: Divulgação
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