A barreira entre o palco e a rua desapareceu quando Paula Mattos decidiu descer para o meio do público durante o registro de seu novo projeto audiovisual. Cercada por uma multidão que lotou o espaço a céu aberto e com acesso gratuito, a cantora transformou os moradores e fãs em parte ativa da captação, unindo seu repertório autoral aos principais nomes do arrocha e da música nordestina.
O encontro aconteceu na última quinta-feira (24), no Largo da Saúde, em Salvador, durante a gravação de “Paula Mattos – Ao Vivo em Salvador”. Do alto da estrutura às ruas tomadas pela plateia, o coro coletivo conduziu uma apresentação de cerca de 20 músicas, mesclando regravações, faixas consagradas na voz da própria anfitriã e composições escritas por ela que se tornaram conhecidas nacionalmente através de outros intérpretes.
Foi uma noite que eu nunca vou esquecer. Eu queria que Salvador fizesse parte desse projeto de verdade, e foi muito além do que eu poderia imaginar. Olhar aquele Largo cheio, ouvir todo mundo cantando músicas que fazem parte da minha história e poder descer, ficar no meio das pessoas, cantar junto, sentir aquele carinho tão de perto, foi surreal.
Ao deixar o palco para cantar, dançar e interagir diretamente no meio do povo, a artista materializou a proposta central do trabalho: fazer com que a espontaneidade da rua ditasse o ritmo da gravação. O registro dá sequência ao movimento iniciado anteriormente no Recife com o projeto “Eita Resenha”, assumindo agora a identidade visual e sonora da capital baiana.

O peso do arrocha e as raízes de Seu Zé Arlindo
Para incorporar a sonoridade local ao repertório, a gravação promoveu uma série de colaborações no palco. Dividiram os vocais com a anfitriã os artistas Tayrone, Klessinha, Nadson O Ferinha, Simone Morena, Silvanno Salles e Unha Pintada, consolidando a presença do arrocha e da música nordestina na espinha dorsal do audiovisual.
Além do diálogo musical com o Nordeste, a escolha da Bahia tem motivação familiar. O estado é a terra natal de Seu Zé Arlindo, avô e uma das principais referências afetivas da cantora. Para traduzir essa herança de forma visual durante o show, a compositora utilizou um violão personalizado, decorado com pontos turísticos, paisagens e elementos que retratam a identidade cultural baiana.
Agradecendo a recepção calorosa do público que ocupou o espaço histórico, a cantora resumiu o impacto da experiência na sua trajetória: “A Bahia me recebeu de braços abertos e eu só consigo agradecer. Esse projeto tem muito do povo, dessa energia e desse amor que eu senti aqui”.