A NG.CASH usa estética cinematográfica para transformar cartões em símbolos de identidade e disputar espaço cultural entre jovens
Em vez de prometer taxas menores ou vantagens técnicas, a NG.CASH decidiu contar uma história. A fintech brasileira lançou a campanha “CINEMATIC”, que usa referências visuais do cinema para apresentar quatro novos modelos de personalização de cartão — e, ao mesmo tempo, reposicionar o produto como um elemento de identidade para o público jovem.
O movimento não é aleatório. Em um cenário onde aplicativos financeiros se multiplicam e oferecem serviços cada vez mais parecidos, a disputa deixou de ser apenas funcional. Agora, ela também acontece no campo simbólico — no feed, na estética e na forma como as marcas se conectam culturalmente com seus usuários.
Cinema como linguagem de marca
A campanha aposta em uma construção visual baseada em paródias de cenas clássicas do cinema. Os personagens aparecem em ambientes rígidos, com estética antiga e quase caricata. É justamente nesse contraste que surge a proposta da NG.CASH: inserir, dentro desse universo engessado, um produto que representa liberdade, personalização e expressão individual.
Os cartões personalizados surgem como elementos de cena, quase como figurinos. Eles ajudam a construir a identidade dos personagens e reforçam a ideia de que o objeto vai além da função financeira. Assim, o cartão deixa de ser apenas um meio de pagamento e passa a atuar como extensão visual da personalidade.
Essa escolha criativa também marca um afastamento claro da comunicação tradicional do setor, normalmente centrada em burocracia, números e promessas genéricas de inovação.
Identidade como produto
Para a NG.CASH, o comportamento da nova geração exige outra abordagem. Jovens consumidores não querem apenas usar serviços — eles querem se reconhecer neles. E isso inclui, cada vez mais, a forma como lidam com o próprio dinheiro.
“A nova geração não quer consumir produtos que parecem todos iguais, quer se reconhecer naquilo que usa, inclusive quando o assunto é dinheiro. A gente entende que construir uma marca forte passa por criar repertório cultural, gerar conversa e ocupar espaços que normalmente não são associados ao mercado financeiro”, afirma Antônio Nakad, CMO e co-fundador da empresa.
Na prática, isso significa tratar o cartão como um item comparável a acessórios tecnológicos, peças de moda ou elementos de jogos digitais. A lógica é simples: quanto mais o produto reflete a identidade do usuário, maior o vínculo com a marca.
Essa transformação acompanha um movimento mais amplo do mercado, onde estética e narrativa passaram a ter peso semelhante ao da funcionalidade.
Humor, ironia e crítica ao sistema
Além da estética cinematográfica, a campanha também carrega um tom de ironia. Ao retratar cenários antiquados, a NG.CASH faz uma crítica indireta ao próprio sistema financeiro tradicional, muitas vezes percebido como lento e distante da realidade jovem.
Segundo a empresa, essa escolha não é apenas estética, mas estratégica. Ao brincar com estruturas do passado, a marca reforça sua proposta de inovação — não apenas no produto, mas na forma de se comunicar.
“Existe uma lógica muito antiga no sistema financeiro, inclusive na forma de comunicação. A gente quis brincar justamente com isso: mostrar que é possível inovar até dentro de estruturas que ainda parecem presas ao passado. O jovem percebe rapidamente quando uma marca tenta parecer moderna sem realmente entender sua linguagem”, explica Antonio.
Branding como estratégia central
A campanha “CINEMATIC” também revela uma mudança importante na forma como fintechs encaram o crescimento. Em vez de focar apenas em aquisição de usuários, o investimento em branding passa a ser visto como ativo estratégico.
Mais do que gerar reconhecimento, a ideia é construir comunidade e afinidade cultural. Em um mercado onde produtos financeiros tendem à padronização, a diferenciação emocional se torna um dos poucos caminhos possíveis.
Ao transformar o cartão em protagonista de uma narrativa inspirada no cinema, a NG.CASH aposta em um princípio cada vez mais evidente: para capturar a atenção de uma geração hiperestimulada, não basta oferecer um bom serviço. É preciso oferecer significado — e, principalmente, uma história que valha a pena acompanhar.
