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Atum protege o coração, mas pede equilíbrio

Rico em ômega-3, o atum ajuda a proteger o coração, mas especialistas alertam para o consumo excessivo e o risco de mercúrio.

Celebrado em 2 de maio, o Dia Mundial do Atum recolocou o pescado no centro de uma discussão que vai além da cozinha. Versátil, prático e rico em proteínas de alta qualidade, o alimento ganhou espaço na rotina de quem busca hábitos mais saudáveis. Ao mesmo tempo, especialistas lembram que o consumo precisa ser orientado, sobretudo por causa da presença de mercúrio em peixes de grande porte.

O interesse crescente também aparece nos números. O mercado global de conservas de atum e sardinha deve alcançar US$16,38 bilhões em 2026 e ultrapassar US$27,74 bilhões até 2035, com crescimento médio anual de 6,03%. No Brasil, o atum vem se consolidando na mesa do consumidor, com cerca de 25 mil toneladas capturadas anualmente, segundo o Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe).

Entre o benefício e a cautela

Para o nutricionista e professor da Afya São João Del Rei, Dr. Marcio Augusto Trindade, o atum é uma proteína valiosa do ponto de vista nutricional. Ainda assim, ele chama atenção para um limite importante. O problema não está no consumo pontual, mas no excesso mantido por muito tempo, especialmente entre grupos mais sensíveis.

“Quando consumido em excesso, o mercúrio pode ter efeitos tóxicos, principalmente sobre o sistema nervoso central. Em adultos, isso geralmente está associado a exposições mais elevadas e prolongadas. Já em grupos mais sensíveis, como gestantes, lactantes e crianças, o cuidado deve ser redobrado, pois o mercúrio pode interferir no desenvolvimento neurológico”, afirma o nutricionista e professor da Afya São João Del Rei, Dr. Marcio Augusto Trindade.

A orientação, portanto, não é excluir o atum da alimentação. Segundo o especialista, a recomendação geral é consumir o pescado de duas a três vezes por semana, sempre alternando com outras opções que apresentam menor teor de mercúrio, como a sardinha. Esse equilíbrio permite preservar os ganhos nutricionais sem ignorar os riscos de uma ingestão repetida e desproporcional.

Outro ponto importante envolve a espécie e a forma de apresentação. Nem todo tipo de atum oferece o mesmo risco. Espécies menores, como o atum light enlatado, tendem a concentrar menos mercúrio do que espécies maiores, como o atum albacora. Já o atum enlatado preserva boa parte dos benefícios do alimento, sobretudo em relação ao teor de proteína e de ômega-3, embora possa ter mais sódio e, quando conservado em óleo, maior valor calórico. Por isso, a preferência deve recair sobre as versões em água e com menor teor de sal.

Como o atum age na saúde cardiovascular

A nutróloga e professora da Afya Educação Médica Montes Claros, Dra Juliana Couto Guimarães, define o atum como um verdadeiro coringa na cozinha. Além da praticidade, o pescado reúne micronutrientes relevantes, entre eles vitaminas B12 e D, além de selênio. O destaque, porém, está nos ácidos graxos ômega-3, especialmente EPA e DHA, associados a uma dieta cardioprotetora.

Na prática, isso significa que o consumo regular do atum pode contribuir para proteger o sistema cardiovascular por diferentes frentes. Não se trata de um efeito isolado, mas de um conjunto de ações que ajudam o organismo a funcionar melhor e reduzem fatores ligados ao adoecimento do coração e dos vasos sanguíneos.

O avanço do pescado no prato

O crescimento do interesse pelo atum acompanha uma mudança maior no padrão alimentar mundial. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o pescado em geral já corresponde a 51% do consumo mundial de proteínas de origem animal. A produção global supera 185 milhões de toneladas, e mais da metade desse volume vem da aquicultura.

Desde a década de 1960, o consumo per capita de pescado quase dobrou no mundo. O índice passou de 9,1 quilos para 20,7 quilos por pessoa ao ano em 2022. A tendência, ao que tudo indica, segue em alta. Estimativas do IFC Brasil, de 2025, apontam que o planeta deverá demandar aproximadamente 24 milhões de toneladas adicionais de pescado por ano até 2030.

Nesse cenário, o atum se destaca por reunir conveniência, valor nutricional e presença crescente no mercado. Mas a expansão do consumo traz uma exigência clara: informação de qualidade. Saber escolher a versão mais adequada, variar as fontes de pescado e respeitar a frequência recomendada faz diferença. Para o consumidor, isso significa transformar um alimento popular em um aliado real da saúde cardiovascular, sem perder de vista os cuidados necessários.


Serviço

Atum protege o coração, mas pede equilíbrio
Foto: Divulgação
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