Casos de doenças cardiovasculares entre jovens adultos vêm acendendo um alerta entre especialistas, que apontam a necessidade de prevenção precoce e mudanças de hábito antes mesmo do surgimento dos primeiros sintomas. Em uma unidade da rede privada de saúde no Rio, os dados da UTI do Hospital do Coração de Duque de Caxias (HSCOR), da Hapvida, mostram que esse tipo de ocorrência já ocupa posição de destaque nas internações e atinge também pacientes em plena fase produtiva da vida.
Doenças cardiovasculares lideram internações
Em março de 2026, as doenças cardiovasculares foram a principal causa de internação na unidade, respondendo por 23% dos diagnósticos registrados. O cenário, no entanto, já havia sido ainda mais intenso em meses anteriores: em setembro de 2025, esse grupo representou 62% das internações, enquanto em outubro do mesmo ano a participação chegou a 55%.
Os números chamam atenção não apenas pelo volume, mas pela faixa etária envolvida. Embora a maior parte dos pacientes internados tenha mais de 65 anos, a unidade também registrou casos entre adultos jovens. Em fevereiro de 2026, 27% dos pacientes da UTI tinham entre 26 e 45 anos. Já em março, esse grupo respondeu por 16% das internações.
Para os especialistas, o dado reforça uma tendência que vem se tornando mais visível: o avanço dos fatores de risco entre pessoas cada vez mais jovens. Obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e alimentação inadequada aparecem entre os principais elementos ligados ao aumento da incidência de problemas cardíacos nessa faixa etária.
O cenário nacional também preocupa
A realidade observada na unidade do Rio acompanha um panorama mais amplo no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil, com mais de 1,1 mil óbitos por dia e cerca de 400 mil mortes por ano.
ipal causa de morte no Brasil, com mais de 1,1 mil óbitos por dia e cerca de 400 mil mortes por ano.Esse peso epidemiológico ajuda a explicar por que o tema vem ganhando espaço nas discussões sobre saúde pública e prevenção. Apesar de serem historicamente associadas ao envelhecimento, as doenças do coração hoje também aparecem ligadas a rotinas marcadas por excesso de sedentarismo, pior qualidade da alimentação e menor atenção aos cuidados preventivos desde cedo.
No caso dos adultos jovens, o impacto costuma ser ainda mais sensível, já que os episódios cardiovasculares interrompem uma fase marcada por trabalho, formação familiar e maior vida produtiva. Quando o problema surge precocemente, os riscos de complicações e de perda de qualidade de vida podem se estender por muitos anos.
Prevenção precisa começar antes
O cardiologista da Hapvida, Bernardo Ferreira, relaciona o aumento dos eventos cardiovasculares às mudanças no estilo de vida observadas nas últimas décadas e reforça que nenhum exame substitui hábitos saudáveis.
“Observamos um aumento significativo nos casos de infarto agudo do miocárdio e de doenças cerebrovasculares. Entre os principais fatores envolvidos, estão o crescimento do sedentarismo, da obesidade e a piora dos hábitos alimentares da população. Nenhum exame ou tecnologia é capaz de compensar os efeitos de anos de sedentarismo, alimentação inadequada e outros hábitos prejudiciais. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para proteger o coração”, sugere o médico.
A orientação resume a lógica que vem guiando as campanhas de prevenção: esperar o surgimento de sintomas pode significar chegar tarde demais. Por isso, a atenção ao estilo de vida deve começar ainda na juventude, com a construção gradual de hábitos que reduzam a exposição aos principais fatores de risco.
Entre os cuidados destacados por especialistas estão a prática de atividade física, a manutenção de uma alimentação equilibrada e o monitoramento regular de indicadores de saúde, como pressão arterial, colesterol e glicemia. Também entram na lista ações que muitas vezes são subestimadas, como dormir bem, controlar o estresse e evitar o cigarro.
Hábitos que reduzem o risco
A prevenção, segundo os especialistas, ganha força quando passa a fazer parte da rotina antes do aparecimento de qualquer sintoma. A recomendação é que o cuidado com o coração seja contínuo e não apenas associado a consultas ocasionais ou ao envelhecimento.
- Praticar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana.
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes.
- Controlar peso, pressão arterial, colesterol e glicemia.
- Evitar cigarro e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
- Dormir entre sete e nove horas por noite.
- Controlar o estresse e cuidar da saúde mental.
- Realizar consultas e exames preventivos regularmente.
O conjunto de recomendações reforça uma ideia central: a proteção do coração depende menos de soluções isoladas e mais da consistência de escolhas cotidianas. Nesse contexto, acompanhar sinais do organismo, buscar orientação médica e adotar uma rotina mais saudável deixam de ser medidas complementares e passam a integrar a própria estratégia de prevenção.
Serviço
- Unidade: UTI do Hospital do Coração de Duque de Caxias (HSCOR), da Hapvida.
- Período citado: setembro de 2025, outubro de 2025, fevereiro de 2026 e março de 2026.
- Dado principal: doenças cardiovasculares foram a principal causa de internação em março de 2026, com 23% dos diagnósticos registrados.
- Fonte da orientação médica: cardiologista da Hapvida, Bernardo Ferreira.
- Recomendações: atividade física regular, alimentação equilibrada, controle de peso e exames preventivos.
