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Como sensores de glicose mudam a rotina de crianças com diabetes

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No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26/06, a rotina de famílias que convivem com a doença em casa ajuda a dimensionar o peso do diagnóstico e, ao mesmo tempo, o impacto das novas tecnologias de cuidado. Em um cenário em que o diabetes infantil exige vigilância permanente, os medidores contínuos de glicose surgem como aliados para tornar o controle mais preciso, confortável e viável ao longo de todo o dia.

Segundo o Atlas da Federação Internacional de Diabetes, o Brasil registra atualmente cerca de 99 mil casos de crianças e jovens com Diabetes tipo 1, número que coloca o país atrás apenas de Estados Unidos, Índia e China nesse ranking. A doença tem maior incidência em crianças e costuma se manifestar de forma inesperada, com sinais como sede excessiva, vontade de urinar várias vezes ao dia, cansaço, fome em excesso e alterações de comportamento, como irritabilidade.

Os sintomas podem variar conforme o tipo da doença. No Diabetes tipo 1, há diminuição ou ausência de produção de insulina pelo pâncreas. Já no tipo 2, o problema está na resistência do organismo à insulina. Em ambos os casos, o controle da glicemia, aliado ao acompanhamento médico, à alimentação saudável e à prática de exercícios, é parte central da rotina.

Uma rotina de vigilância dentro de casa

A experiência de Anna Ayres, advogada, estudante de nutrição e mãe de Valentina e Martina Ayres, mostra como esse acompanhamento pode ser intenso quando envolve crianças. As duas filhas, de 11 e 8 anos, convivem com o diabetes, e a mãe descreve uma rotina de atenção constante desde o primeiro diagnóstico.

Ela conta que o início foi traumático. Valentina, a filha mais velha, ficou em coma por 4 dias durante a pandemia do COVID-19. Anos depois, a família recebeu o diagnóstico da filha mais nova. A partir daí, a casa passou a funcionar sob a lógica do monitoramento permanente, algo comum entre mães que convivem com a condição dos filhos e que, por isso, costumam ser chamadas de “mães pâncreas”.

“A rotina sem os sensores é exaustiva, precisamos manter a criança sob vigilância constante. Com a tecnologia, podemos normalizar as coisas, devolver a infância para elas e ter tranquilidade para dormir mais de três horas por noite, com a segurança de que os alarmes vão nos proteger de hipoglicemias noturnas”.

Antes da popularização desses dispositivos, o controle dependia das conhecidas picadas no dedo em vários momentos do dia. Além do desconforto, isso afetava a qualidade de vida das crianças, especialmente em situações fora de casa, em festas, na escola ou até durante o sono. O avanço dos sensores, na avaliação da família, passou a reduzir esse desgaste e trouxe mais previsibilidade para a rotina.

Diagnósticos diferentes, desafios em comum

Na mesma família, os diagnósticos chegaram de formas muito distintas. Valentina deu entrada no hospital em estado crítico, aos 6 anos. Já Martina descobriu a alteração de maneira simples, depois de pedir para fazer um teste de ponta de dedo por curiosidade. O exame apontou uma hiperglicemia.

Hoje, com o uso de sensor para controle da glicemia, a adaptação na escola e a liberdade para brincar passaram a fazer parte de uma rotina mais confortável. A tecnologia, nesse contexto, aparece não apenas como ferramenta clínica, mas como recurso que interfere diretamente no cotidiano da criança.

“A minha rotina mudou muito com o diabetes, precisei prestar mais atenção nas comidas e fazer mais exercícios para deixar a minha glicemia no alvo. O uso do sensor ajudou muito porque não preciso mais furar o dedo o tempo todo e trouxe maior conforto durante a rotina e para dormir”.

Mesmo diante do cuidado redobrado, Anna diz que o acesso aos dados em tempo real e às setas de tendência dos aparelhos permite enxergar o futuro com menos medo. A informação, segundo ela, muda a forma como a família enfrenta a doença e ajuda a reconstruir a sensação de normalidade.

“Para outras mães pâncreas, por mais que o diagnóstico pareça uma tempestade, tudo se ajeita. Ao buscarmos conhecimento e aprendermos a extrair o melhor das ferramentas que temos, a qualidade de vida retorna e as crianças terão um futuro brilhante”.

O que muda com o monitoramento contínuo

O uso de monitores contínuos de glicose tem avançado justamente por atacar uma das partes mais desgastantes do tratamento: a necessidade de medições frequentes ao longo do dia. Esses dispositivos fazem o monitoramento da glicemia durante 24 horas e enviam alertas para o aplicativo no celular, permitindo respostas mais rápidas a alterações nos níveis de açúcar no sangue.

Além de eliminar a necessidade das picadas diárias nos dedos, os aparelhos também registram um histórico das taxas de glicose. Esse armazenamento de dados amplia a visão sobre o comportamento da doença e serve de apoio para quem acompanha o tratamento no dia a dia e também para o médico responsável.

“Os monitores contínuos de glicose são um divisor de águas para o monitoramento da glicemia, algo que, para quem convive com a diabetes e precisa fazer diariamente o controle das taxas, é extremamente relevante para manter um nível confortável de saúde. Estes dispositivos eliminam a necessidade das picadas diárias nos dedos e permitem que o paciente tenha acesso aos seus níveis de açúcar no organismo em um curto espaço de tempo, a partir da emissão de alertas para o aplicativo no celular. O sensor registra, inclusive, um histórico das taxas de glicose, o que é muito importante até para o médico que acompanha a saúde dos pacientes”.

A avaliação é de Fernando Marinheiro, diretor Comercial da MedLevensohn, empresa que destaca a evolução desses equipamentos como uma resposta à busca por mais conforto, precisão, praticidade e eficiência no controle da doença. Em crianças e adolescentes, esses atributos ganham ainda mais relevância, já que o cuidado precisa acompanhar escola, brincadeiras, sono e deslocamentos.

Smart 2.0 mira conforto e acesso aos dados

Entre os dispositivos citados está o Smart 2.0, apresentado como o menor sensor do mercado, com tamanho semelhante ao de uma moeda de 50 centavos. O modelo, aprovado pela Anvisa, está entre os únicos permitidos para uso em crianças a partir dos dois anos, o que amplia sua indicação para o público infantil.

De acordo com as informações divulgadas, o sensor mede 22mm de diâmetro e 4mm de altura, pesa 2,2g e pode ser aplicado no braço ou no abdômen. O dispositivo também apresenta resistência à água, com possibilidade de permanecer imerso em até 2,5 metros por até 2 horas.

O tempo de uso contínuo é de 15 dias. Outro diferencial apontado é a calibração opcional no aplicativo, recurso que permite corrigir pequenas variações das medições sem necessidade de trocar o sensor. O aparelho ainda conta com Bluetooth com alcance de 6 metros e MARD de 8,66%, sigla em inglês para Diferença Relativa Absoluta Média, métrica usada para avaliar a precisão de monitores contínuos de glicose.

Dados compartilhados com responsáveis e médicos

Outro ponto destacado é a possibilidade de compartilhamento das informações geradas pelo sensor. Segundo a empresa, até 50 pessoas podem ter acesso aos dados transmitidos para o aplicativo AIDEX, o que permite que pais, mães, responsáveis e até o médico acompanhem o comportamento da glicemia.

“Isso facilita bastante o controle em crianças e adolescentes, pois é possível que até 50 pessoas tenham acesso aos dados gerados pelo sensor e transmitidos para o aplicativo AIDEX. Ou seja, pais, mães e responsáveis podem realizar este controle e, até mesmo, o médico que faz o acompanhamento, para um diagnóstico e prescrição de alimentação e medicamentos ainda mais assertivos”.

Na prática, esse tipo de recurso reforça a rede de cuidado em torno da criança e do adolescente com diabetes. Em vez de depender apenas de checagens pontuais, a família passa a contar com uma leitura contínua e com alertas que ajudam a agir diante de oscilações importantes da glicemia.

Dia Nacional do Diabetes reforça informação e cuidado

A data de 26/06 amplia a discussão sobre uma doença que, na infância e na adolescência, exige disciplina, informação e acompanhamento próximo. Ao mesmo tempo, os relatos mostram que o avanço dos dispositivos de monitoramento tem mudado a experiência de quem convive com o diagnóstico dentro de casa.

No caso da família de Anna Ayres, a tecnologia aparece como parte de um esforço maior para devolver autonomia às filhas e aliviar uma rotina historicamente marcada por medo, cansaço e vigilância sem pausa. Em um contexto de crescimento da atenção ao diabetes infantil, o acesso a ferramentas mais precisas e menos invasivas ganha peso não só no controle clínico, mas também na qualidade de vida de crianças, adolescentes e responsáveis.

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