A escoliose atinge entre 2% e 4% da população mundial e pode avançar de forma silenciosa, especialmente durante a infância e adolescência — fases em que o corpo passa por rápidas transformações. O alerta ganha força com a possibilidade de progressão da curvatura da coluna quando não há diagnóstico precoce, o que pode trazer impactos duradouros à saúde.
Caracterizada por um desvio lateral da coluna vertebral associado à rotação das vértebras, a condição muitas vezes começa de forma discreta. É justamente essa sutileza inicial que contribui para que muitos casos passem despercebidos, atrasando a identificação e o acompanhamento adequado.
Condição comum, mas pouco percebida
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Coluna, a forma mais comum da doença é a escoliose idiopática do adolescente. No Brasil, isso representa milhares de jovens convivendo com alterações na coluna sem sequer saber.
A ausência de sintomas evidentes nos estágios iniciais contribui para esse cenário. Diferente de outras condições ortopédicas, a escoliose nem sempre provoca dor no começo, o que faz com que pais e responsáveis não percebam a necessidade de avaliação médica.
Segundo o ortopedista Thales Gonçalves, do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), o olhar atento no dia a dia pode ser determinante para mudar esse quadro.
Sinais que merecem atenção
Embora discreta no início, a escoliose costuma apresentar sinais físicos que podem ser observados sem necessidade de exames complexos. A assimetria corporal é o principal indicativo.
“Os pais e responsáveis devem ficar atentos a assimetrias no corpo, como um ombro mais alto que o outro, diferenças na região das axilas, alteração do chamado Triângulo de Tales, que é o espaço entre os braços e o tronco, além da obliquidade da pelve, quando um lado do quadril parece mais elevado. Esses sinais podem indicar a presença da escoliose e merecem avaliação médica”
Essas alterações, embora sutis, funcionam como um alerta visual importante. A identificação precoce permite que o paciente seja encaminhado para avaliação clínica antes que a curvatura avance.
Diagnóstico e acompanhamento
O diagnóstico da escoliose começa com o exame clínico, que avalia postura, alinhamento corporal e possíveis deformidades. Quando necessário, exames de imagem são solicitados para confirmar o quadro.
Entre eles, o raio-x panorâmico da coluna vertebral é o principal recurso utilizado para medir a curvatura e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
Nem todos os casos exigem intervenções complexas. Em muitos pacientes, o acompanhamento regular já é suficiente para controlar a condição.
“Após a avaliação clínica, muitos pacientes podem ser acompanhados apenas com observação periódica ou fisioterapia. O acompanhamento é especialmente importante durante a fase de crescimento, quando existe maior risco de progressão da curva”
Riscos da falta de tratamento
Quando não diagnosticada ou acompanhada adequadamente, a escoliose pode evoluir para quadros mais graves. A progressão da curvatura não é apenas uma questão estética — ela pode afetar diretamente a saúde do paciente.
Em casos mais severos, a deformidade pode ultrapassar 100 graus, comprometendo funções essenciais do organismo.
“Em situações mais graves e negligenciadas, a deformidade pode evoluir para curvaturas superiores a 100 graus, comprometendo inclusive a função pulmonar e a qualidade de vida do paciente. Nesses casos, a cirurgia pode ser indicada para correção da deformidade e prevenção de novas complicações”
Nesse estágio, a intervenção cirúrgica passa a ser considerada não apenas para corrigir a curvatura, mas também para evitar agravamentos futuros.
Importância da atenção na infância
A fase de crescimento é apontada como o período mais crítico para o desenvolvimento e agravamento da escoliose. Isso ocorre porque o crescimento acelerado pode intensificar a progressão da curvatura da coluna.
Por isso, consultas regulares ao longo da infância e adolescência desempenham papel essencial na prevenção de complicações. O acompanhamento médico permite identificar alterações ainda no início, aumentando significativamente as chances de controle da condição.
O especialista reforça que o diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para evitar desdobramentos mais graves.
“O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para evitar a progressão da escoliose e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes”
A conscientização sobre os sinais e a busca por avaliação médica são passos fundamentais para mudar o cenário de subdiagnóstico da escoliose, garantindo melhores resultados e mais qualidade de vida ao longo dos anos.
Serviço
- Assunto: Escoliose e diagnóstico precoce
- Especialista: Thales Gonçalves
- Instituição: Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU)

