Testes genéticos permitem diagnóstico precoce e prevenção personalizada do câncer de próstata, que tem 71,7 mil novos casos anuais no Brasil.
No contexto do Novembro Azul, o avanço da tecnologia genética vem se consolidando como uma aliada estratégica no combate ao câncer de próstata. Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a doença ocupa a segunda posição entre os tipos mais comuns entre homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, com cerca de 71,7 mil novos casos anuais no país.
Para Arthur Silva, Gerente Regional LATAM de Diagnósticos de Oncologia e Precisão da QIAGEN, o cenário reforça a importância de integrar ferramentas moleculares ao cuidado oncológico masculino. Segundo ele, os testes genéticos ajudam a identificar predisposições antes do surgimento de tumores, permitindo decisões clínicas mais informadas.
“O sequenciamento genético pode ser realizado em um prazo de 24 a 48 horas, com amostras simples de sangue ou saliva. Essa agilidade acelera o diagnóstico e orienta o monitoramento clínico”, explicou Silva. “Com a análise, é possível detectar mutações em genes associados ao câncer de próstata hereditário, como BRCA1 e BRCA2.”
De acordo com o especialista, a partir do resultado genético é possível adotar estratégias de rastreamento intensificado e intervenções precoces, reduzindo o risco de mortalidade. Ele destacou que pacientes com histórico familiar apresentam risco aumentado e que mutações em genes como BRCA também estão associadas a outros tumores, incluindo os de mama masculina, pâncreas e melanoma.
Silva ressaltou ainda que os sintomas clássicos — como dificuldade para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e sangue na urina — costumam surgir em estágios avançados. Além disso, fatores como idade acima de 55 anos, obesidade e sobrepeso ampliam o risco da doença.
“Por medo, tabus ou desconhecimento, muitos homens ainda negligenciam exames preventivos. Essa demora pode dificultar o tratamento e reduzir as chances de cura”, afirmou o executivo.
Avanços e desafios no acesso
Atualmente, não há previsão para a incorporação ampla de testes genéticos voltados ao câncer de próstata no SUS. No entanto, em 2025 foi aprovado um projeto que prevê a oferta obrigatória desses testes para neoplasias como mama, ovário e colorretal, o que abre espaço para discussões sobre a ampliação do benefício.
Enquanto isso, alguns planos de saúde já cobrem o exame integralmente, desde que o paciente atenda aos critérios definidos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Silva concluiu que os testes genéticos representam mais do que inovação tecnológica: integram prevenção, estratégia clínica e acesso à informação. Dessa forma, quando aplicados de forma responsável, podem contribuir para diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes, especialmente entre pacientes com risco elevado.

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