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Guerreiro do Divino Amor leva arte sobre HIV aos espaços do Rio

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Guerreiro do Divino Amor ocupa telas, painéis e relógios urbanos do Rio com uma obra criada especialmente para a 26ª Conferência Internacional de Aids, que acontece pela primeira vez na América do Sul.

Comissionada pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) a convite da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a intervenção urbana estreou em 21 de julho e segue até 3 de agosto. A obra será exibida em telas, painéis e totens em pontos centrais da cidade, incluindo o Aterro do Flamengo, o Aeroporto Internacional Tom Jobim – Galeão, estações de metrô e relógios urbanos em bairros como Botafogo, Copacabana, Ipanema, Lagoa, Tijuca e Centro.

“É um sonho poder me comunicar com milhões de pessoas sobre um tema que me é tão caro (…) As animações falam tanto das batalhas biotecnológicas na escala microscópica quanto da luta contra a solidão e pelo direito de amar.”

Obra dialoga com história da epidemia no Brasil

Intitulada “Vitória biotecnológica, testes, afetos e audácia de viver” (2026), a obra foi desenvolvida a partir de uma imersão do artista em arquivos e acervos da Fiocruz, com atenção especial às campanhas gráficas produzidas ao longo de décadas de enfrentamento à epidemia de HIV e Aids. O trabalho também dialoga com materiais da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), reunindo referências visuais, científicas e afetivas da história da doença no país.

Em diferentes formatos adaptados para cada suporte, a animação combina imagens inspiradas em representações microscópicas do vírus, códigos genéticos e elementos gráficos da comunicação pública com cenas de pessoas que dançam, choram, se abraçam e celebram a vida. A linguagem visual mistura ficção científica, estética de aberturas de novelas e identidade de campanhas de saúde, criando uma experiência direta, pensada para captar a atenção de quem circula pela cidade.

Mensagens de prevenção, afeto e “indetectável = intransmissível”

Frases curtas atravessam a animação, como “Se ame, se teste, se cuide amor!” e “Que nunca nos falte audácia para amar”. O trabalho também incorpora um dos pilares das políticas contemporâneas de enfrentamento ao HIV: pessoas vivendo com HIV que mantêm carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual, sintetizado na fórmula internacional “indetectável = intransmissível”.

Além da dimensão científica, a obra recupera uma dimensão afetiva da história da Aids, evocando os impactos da epidemia sobre relações de amizade, amor, desejo e convivência, e abordando a solidão e o isolamento que marcaram especialmente os anos 1980 e 1990. Sem se restringir a uma reconstituição histórica, o trabalho conecta passado e desafios atuais: persistência do estigma, necessidade de prevenção contínua e acesso à informação e ao tratamento.

Arte e ciência ocupam o espaço público

A intervenção integra a programação da Aids 2026, conferência que será realizada no Rio de Janeiro entre 26 e 31 de julho, no Riocentro. O evento reúne pesquisadores, profissionais de saúde, ativistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil de diferentes países e, nesta edição, conta com apoio do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Abia.

“A arte é uma potente ferramenta na promoção do diálogo sobre temas complexos e urgentes. Quando ela se encontra com a ciência, seu alcance se expande”, afirma Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio. Para Beatriz Grinsztein, presidente da Sociedade Internacional de Aids (IAS) e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids na Fiocruz, “tornar essas discussões visíveis no cotidiano é uma forma de aproximar o debate de todas as pessoas e reafirmar que a resposta ao HIV depende de conhecimento, diálogo e participação coletiva”.


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