No dia seguinte à folia, coceira e vermelhidão podem denunciar reação à maquiagem no Carnaval; veja o que evitar no rótulo e como agir.
Entre glitter, cores vibrantes e camadas que ficam horas na pele, o Carnaval cria um “teste de estresse” pouco comum no resto do ano. Calor, suor, sol e atrito constante aumentam a chance de ardor e irritação, sobretudo em áreas sensíveis como olhos, lábios e bochechas.
Maquiagem no Carnaval: por que a pele reage
“Durante o Carnaval, a pele entra em um estado de maior permeabilidade e reatividade”, explica Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop, rede referência no desenvolvimento de cosméticos hipoalergênicos. Segundo ela, o calor dilata os poros, o suor altera o pH cutâneo e a maquiagem permanece por longos períodos em contato com a pele, o que favorece dermatite de contato, irritação e sensibilização cumulativa.
“Durante o Carnaval, a pele entra em um estado de maior permeabilidade e reatividade. O calor dilata os poros, o suor altera o pH cutâneo e a maquiagem permanece em contato com a pele por longos períodos. Quando a fórmula contém substâncias potencialmente irritantes, a resposta inflamatória tende a aparecer, mesmo em pessoas que nunca tiveram alergia”, diz Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da Alergoshop.
O que procurar no rótulo antes de usar
A prevenção começa antes do pincel encostar no rosto. Para a especialista, a leitura do rótulo ajuda a identificar ingredientes com maior potencial de irritação ou sensibilização, como fragrâncias intensas, certos conservantes, solventes agressivos, álcool em altas concentrações e alguns corantes.
Ela cita como gatilhos frequentes as isotiazolinonas, o formaldeído e seus liberadores, além de metais pesados acima de limites seguros. Por isso, fórmulas mais “enxutas” tendem a ser melhor toleradas, especialmente em dias de uso intenso.
Olhos e lábios: onde o cuidado deve dobrar
A região dos olhos costuma reagir primeiro. A pele é mais fina e vascularizada, com maior capacidade de absorção. Nesse contexto, fórmulas à base de água, de textura leve e boa aderência ajudam a reduzir escorrimento e acúmulo nas dobras.
Além disso, ativos antioxidantes, como vitamina E, podem apoiar a proteção contra estresse oxidativo associado à radiação solar e à poluição, comuns na rotina da folia.
Irritação ou alergia: como diferenciar sinais
Algumas reações aparecem só depois, quando a pele já passou horas com o produto. Coceira leve, queimação e repuxamento apontam mais para irritação, geralmente ligada à agressão direta da barreira cutânea.
Já a alergia tende a ter sinais mais marcantes: vermelhidão intensa, inchaço, placas e prurido persistente, às vezes avançando para além da área maquiada. Julinha diferencia: a irritação costuma melhorar com remoção e hidratação, enquanto a alergia pode persistir e exige interromper o uso imediatamente e, em alguns casos, buscar acompanhamento profissional.
Protetor solar no calor: escolha faz diferença
Com sol e suor, a escolha do protetor solar pesa no conforto e na segurança. Fórmulas instáveis ou muito oleosas podem derreter, escorrer e causar ardor nos olhos, além de comprometer a proteção.
Como referência, Julinha aponta protetores com filtros fotoestáveis e tecnologias que combinam diferentes fases de gel (como sistemas que unem gel aquoso e gel oleoso), pois costumam ter maior estabilidade térmica, melhor aderência e menor potencial irritativo. Ativos como alantoína e vitamina E também entram como aliados para acalmar, hidratar e ajudar na proteção contra manchas, queimaduras e envelhecimento precoce em situação de estresse térmico.
Remoção sem atrito e hidratação na sequência
Depois do bloco, a etapa de remoção influencia a recuperação da pele. Fricção excessiva e produtos agressivos podem prolongar a inflamação. A orientação é começar retirando resíduos com soluções que “capturam” pigmentos e oleosidade sem exigir atrito intenso, como uma boa água micelar, preservando o manto hidrolipídico.
Na hidratação, ativos como D-pantenol ajudam na regeneração cutânea e na retenção de água. Ingredientes calmantes e uniformizadores podem reduzir vermelhidão e ajudar a prevenir manchas pós-inflamatórias. No contorno dos olhos, fórmulas específicas, com hidratação prolongada e estímulo à firmeza, tendem a respeitar melhor a sensibilidade da região.
“A pele comunica o tempo todo. Ardor, coceira e vermelhidão são alertas claros de que algo não está adequado. Quanto mais cedo o cuidado correto é adotado, menor o risco”, conclui Julinha.
Serviço
Se arder ou coçar: remova a maquiagem e lave com produto suave.
Se houver inchaço, placas ou piora: suspenda o uso e procure orientação profissional.
Antes de sair: leia o rótulo e evite fórmulas com muitos potenciais sensibilizantes.
Depois: hidrate e evite fricção na limpeza, principalmente nos olhos.
Foto: Divulgação
