No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a discussão sobre sustentabilidade deixa o campo das ideias e ganha forma em iniciativas concretas dentro das empresas. Em meio ao avanço das mudanças climáticas e à pressão por práticas mais responsáveis, marcas de diferentes setores vêm transformando seus processos para reduzir impactos e propor novos caminhos de consumo.
Da indústria da beleza à moda, passando por tecnologia e projetos sociais, o movimento já não é mais periférico. A sustentabilidade passou a ocupar posição estratégica nos negócios, conectando inovação, responsabilidade e propósito em toda a cadeia produtiva.
Mais do que responder a uma demanda crescente do público, essas empresas mostram que é possível alinhar crescimento econômico com impacto positivo — seja por meio de cadeias produtivas regenerativas, economia circular ou desenvolvimento de comunidades.
Sustentabilidade como estratégia global
O Grupo L’Occitane é um dos exemplos de como a sustentabilidade pode ser integrada de forma ampla e estruturada. Certificado como B Corp desde 2023, o grupo atua com metas claras de redução de emissões, uso de energia renovável e abastecimento responsável de matérias-primas.
Além das diretrizes ambientais, a empresa também investe em comércio justo, rastreabilidade de ingredientes naturais e projetos de impacto social voltados ao fortalecimento de comunidades produtoras em diversas regiões do mundo.
Ingredientes naturais e impacto social
Dentro desse ecossistema, a L’Occitane en Provence aposta em soluções como os eco refis da linha Amêndoa, que incentivam a reutilização de embalagens e reduzem resíduos. Já a linha Karité carrega uma das histórias mais emblemáticas da marca, com parcerias de longa data com cooperativas femininas de Burkina Faso, gerando impacto econômico direto para milhares de mulheres.
No Brasil, a L’Occitane au Brésil amplia esse olhar ao trabalhar diretamente com a biodiversidade local. Presente em quatro biomas, a marca atua com pequenos produtores e comunidades agroextrativistas, garantindo repartição justa de benefícios e preservação de saberes tradicionais.
Com 48 ingredientes provenientes de 37 cadeias de fornecimento, a operação brasileira reforça o compromisso com insumos naturais e produção responsável. A linha Caju é um exemplo dessa abordagem, aproveitando integralmente a matéria-prima, inclusive resíduos agrícolas, em uma lógica de menor desperdício.
Moda que transforma territórios
No setor têxtil, a sustentabilidade ganha dimensão social com iniciativas que vão além do produto final. O Instituto Riachuelo, criado em 2021, atua diretamente no fortalecimento da cadeia produtiva no sertão brasileiro, com foco em geração de emprego e renda.
Com investimentos previstos de R$8 milhões para 2026, sendo R$5 milhões destinados a projetos prioritários, a instituição vem impactando a economia do Rio Grande do Norte e estruturando um modelo de moda com bases regenerativas.
Programas como o Pró-Sertão demonstram esse impacto na prática. Em 2025, a iniciativa foi responsável por mais de 2.800 empregos formais em 29 municípios, com 94 oficinas de costura parceiras que movimentaram mais de R$118 milhões.
Algodão agroecológico e inovação
A agenda ambiental se materializa com o Agro-Sertão, que desde 2021 já recebeu mais de R$2 milhões em investimentos, impactando mais de 240 agricultores e regenerando 270 hectares da Caatinga. O projeto resgatou o cultivo de algodão agroecológico em um modelo regenerativo.
Esse movimento chegou ao consumidor com produtos concretos, como as 70 mil camisetas lançadas em 2025 com algodão agroecológico e tingimento natural. O processo reduziu em 46% as emissões de gases de efeito estufa e diminuiu o consumo de água.
Outro destaque é o Projeto Anileira, voltado à produção de corantes naturais, que já conta com investimento de R$1,4 milhão e desenvolvimento em parceria com instituições como o INSA e a FINEP.
Inovação e circularidade na moda
A Riachuelo vem ampliando esse movimento dentro de suas coleções, incorporando matérias-primas sustentáveis e processos circulares. Entre os destaques está a linha POOL LOOP, que utiliza 25% de algodão reciclado e reaproveitou 9,4 toneladas de resíduos têxteis em seu lançamento.
Outro avanço foi o desenvolvimento de um jeans com viscose contendo resíduos de algodão reciclado e elastano de biomassa de cana-de-açúcar, resultado de parcerias com empresas globais especializadas em fibras sustentáveis.
A marca também investe em logística reversa. Nos últimos cinco anos, mais de 40 toneladas de roupas foram arrecadadas em coletores nas lojas, destinadas à reciclagem, doação ou coprocessamento.
Já o projeto de upcycling com o estilista Marcelo Sommer propõe uma nova leitura para sobras têxteis, transformando resíduos em peças com valor agregado e identidade criativa.
Tecnologia e novos modelos de produção
A LV Store aposta em um caminho diferente dentro da moda: a produção sob demanda guiada por inteligência artificial. O modelo elimina estoques e reduz desperdícios ao prever padrões de consumo com maior precisão.
Liderada por Letícia Vaz (@leticiavaz), a marca opera com fábrica própria, equipe contratada em regime CLT e certificações ambientais que incluem descarte ecológico e neutralização de emissões. A proposta combina eficiência operacional com responsabilidade socioambiental.
Beleza limpa e consumo consciente
No segmento de cosméticos, a Simple Organic se consolidou como referência em clean beauty no Brasil. Com mais de 100 produtos, a marca trabalha com fórmulas que possuem mais de 90% de ingredientes naturais, além de serem veganas, cruelty-free e sem gênero.
Certificada por organizações como Ecocert e PETA, e signatária do Pacto Global da ONU, a empresa estrutura sua atuação com base em princípios de direitos humanos, transparência e responsabilidade ambiental.
Mais do que produtos, a proposta envolve estimular uma mudança de comportamento, incentivando escolhas mais equilibradas entre consumo e impacto ambiental.
Estilo de vida e impacto positivo
A LIVE! amplia o conceito de sustentabilidade ao conectá-lo com bem-estar e estilo de vida. Desde 2002, a marca desenvolve produtos de activewear que combinam tecnologia e design, incentivando uma rotina mais saudável.
Com mais de 350 lojas e iniciativas como o circuito LIVE! RUN XP, a empresa construiu um ecossistema que vai além da roupa, promovendo experiências e uma relação mais consciente com o corpo e o ambiente.
O posicionamento reforça a ideia de que sustentabilidade também passa por escolhas diárias e pela construção de comunidades engajadas em hábitos mais responsáveis.
Serviço
- Data: 5 de junho (Dia Mundial do Meio Ambiente)


