Transformações emocionais profundas, sobrecarga e ausência de tempo individual afetam quase a totalidade das mulheres durante os primeiros anos da maternidade no Brasil.
Dados da pesquisa “Mulher e Agora Mãe – Volume II”, conduzida pela ONG CineMaterna em parceria com a consultoria NOZ Inteligência, apontam que 97% das mães de crianças de até dois anos registraram alterações no bem-estar emocional. A amostragem ouviu 1.138 mulheres em diferentes regiões do país.
A sobrecarga diária afeta 67% das participantes, enquanto 59% relatam maior sensibilidade emotiva e 39% apresentam quadros de ansiedade. Os desafios emocionais começam frequentemente na gestação ou no pós-parto imediato: 63% citam o medo de não dar conta da rotina e o sentimento de tristeza persistente, 44% relatam irritabilidade e 37% apontam ansiedade intensa.
A maternidade é um momento de grande transformação, mas também de vulnerabilidade. Quando não há apoio e acolhimento, essa experiência pode se tornar ainda mais difícil.

Falta de tempo e acúmulo de tarefas
A necessidade de suporte emocional atinge 82% das entrevistadas, com 25% demandando acolhimento contínuo e 57% em momentos pontuais. Em contrapartida, apenas 18% afirmam não sentir essa necessidade. A presidente da instituição, Mirian Rodrigues, enfatiza que o objetivo do levantamento é fundamentar a criação de espaços onde as mulheres consigam se reconectar consigo mesmas.
O tempo para descanso, cuidados pessoais, estudos ou lazer é raro ou inexistente para 65% das mães. Esse cenário associa-se diretamente à divisão desigual do trabalho doméstico: 77% das entrevistadas são as principais responsáveis pela rotina dos filhos. Mesmo entre as mulheres que exercem trabalho remunerado fora de casa, 71% continuam centralizando os cuidados infantis.
Redefinição de identidade e economia do cuidado
A distribuição das responsabilidades reflete diretamente no desgaste físico e mental. A consultora executiva da consultoria parceira, Juliana Vanin, aponta que o debate sobre saúde mental precisa integrar a economia do cuidado, já que a concentração de tarefas afeta a vida profissional, o descanso e as relações pessoais das mães.
O estudo também analisou a autopercepção feminina. Para 56% das mulheres, a identidade pessoal passou por mudanças profundas, enquanto 42% notaram alterações em aspectos específicos. Diante dessas transformações, 61% relatam incerteza sobre como se sentem, 22% avaliam o processo de forma positiva, 10% dividem-se entre aspectos prósperos e difíceis, e 8% expressam sentimentos negativos por saudades de quem eram antes.
Serviço
- Pesquisa: Mulher e Agora Mãe – Volume II
- Realização: CineMaterna e NOZ Inteligência
- Amostragem: 1.138 mulheres com filhos de até 2 anos em todo o Brasil
- Acesse o estudo completo: https://www.nozinteligencia.com.br/cinematerna
