A disseminação de promessas estéticas e de rejuvenescimento nas redes sociais impulsionou a busca descontrolada por reposição de testosterona entre mulheres, prática que contraria evidências científicas e pode desencadear sérios danos à saúde.
O apelo comum no ambiente digital sustenta que a reposição hormonal seria mandatória para todas após os 40 anos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclarece que não existe indicação universal do hormônio para evitar o envelhecimento ou garantir ganho estético.
O risco é transformar uma questão de saúde em uma tendência estética. A mulher vê outra pessoa dizendo que ficou com mais disposição ou ganhou massa muscular e conclui que precisa fazer o mesmo. Mas medicina não funciona por comparação.
A médica Dra. Patrícia Menegusso, especialista em saúde da mulher, climatério e menopausa com atendimento em São Paulo, pontua que a popularização do produto como fórmula da juventude simplifica de maneira perigosa um processo biológico complexo.
O perigo das promessas de rejuvenescimento
A busca por energia, emagrecimento rápido e definição muscular tem mascarado os impactos adversos causados pelo uso sem prescrição adequada. Em alerta recente publicado em agosto, a Anvisa advertiu sobre a circulação de desinformação acerca das propriedades da substância.
Os efeitos colaterais da administração indevida incluem:
- Queda acentuada de cabelo
- Surgimento de acne severa
- Alterações nas funções hepáticas
- Desregulação nos níveis de colesterol sanguíneo
Libido baixa não resume falta de hormônio
Queixas frequentes durante a transição menopausal, como cansaço extremo e perda do desejo sexual, costumam ser atribuídas erroneamente apenas à queda hormonal. A resposta sexual feminina depende de um ecossistema amplo que abrange sono de qualidade, estabilidade emocional, uso de medicamentos contínuos e dinâmicas do relacionamento.
A transição hormonal afeta o bem-estar global, exigindo investigação aprofundada antes de qualquer intervenção medicamentosa. A testosterona permanece como substância regularizada no país, porém sua prescrição deve responder estritamente a necessidades clínicas comprovadas em exames e histórico individual.
Em 2026, o avanço dos debates sobre saúde cardiovascular, climatério e controle de sintomas abre espaço para que a mulher compreenda o próprio corpo sem recorrer a atalhos prejudiciais.

