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Síntese e Murica encaram dilema da arte em novo single

Síntese e Murica encaram dilema da arte em novo single

O encontro entre Síntese e Murica em “Pelas Verdes, Pelas Rosas” transforma uma colaboração em reflexão direta sobre um dos maiores dilemas da música independente: como equilibrar criação artística e sobrevivência financeira. Lançado em 22 de maio pelo selo EME Cultural, o single nasce dessa tensão e a traduz em uma narrativa que mistura vivência, espiritualidade e crítica ao mercado.

Produzida por VG, a faixa reúne duas gerações do rap nacional em um diálogo que não busca respostas fáceis. Em vez disso, expõe conflitos reais enfrentados por artistas que tentam manter integridade criativa enquanto lidam com as exigências da indústria.

Entre arte e capital

A base conceitual da música gira em torno de uma dualidade constante: propósito versus sustento. A letra percorre esse território com sensibilidade, sem perder o tom crítico que marca a trajetória de Síntese.

“Essa faixa traz o aspecto guerra da arte e do capital. É sobre manter-se íntegro na sua criação e devoção espiritual à arte e ao mesmo tempo fazer as calculadoras funcionarem nessa indústria”

A abordagem não se limita ao discurso. Ela aparece também na construção sonora, que combina tradição e contemporaneidade, refletindo o próprio conflito abordado na letra.

Uma música construída no tempo

Diferente de produções imediatas, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” levou um ano para ganhar forma. O processo começou em uma sessão no estúdio da EME Cultural, em São Paulo, e evoluiu em encontros espaçados, atravessando diferentes momentos e cidades.

A faixa só foi finalizada em um contexto simbólico: no dia do show “Síntese & Murica” em São José dos Campos. Antes de subir ao palco, os artistas gravaram as últimas partes, levando diretamente para a apresentação a energia acumulada durante todo o processo.

A colaboração também carrega um histórico de quase uma década de conexão entre os dois artistas, que, apesar da afinidade, nunca haviam encontrado o momento certo para criar juntos até agora.

Sonoridade com identidade brasileira

No campo musical, a faixa se ancora no rap, mas expande suas referências. A produção de VG mistura elementos do jazz rap dos anos 90 com instrumentos e ritmos brasileiros, criando uma sonoridade híbrida e carregada de identidade.

O uso do berimbau e de percussões reforça essa proposta estética, aproximando o rap de elementos tradicionais da cultura brasileira. A escolha não é apenas sonora, mas simbólica, dialogando com a ideia de luta, estratégia e movimento presente na capoeira.

Essa combinação amplia o alcance da música, posicionando-a como uma obra que transita entre raízes e reinvenção dentro do hip hop nacional.

Do estúdio ao palco

O lançamento chega acompanhado de um videoclipe dirigido por Jean “Purê” Furquim, que acompanha os bastidores da colaboração. O registro percorre diferentes momentos do processo, conectando estúdio, estrada e apresentação ao vivo.

O resultado é um audiovisual descrito como intimista e visceral, refletindo a intensidade do encontro entre os artistas e a carga emocional presente na música.

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Trajetória e legado do Síntese

Com 15 anos de carreira, o Síntese construiu uma das discografias mais consistentes do rap brasileiro contemporâneo. Desde o álbum duplo “Sem Cortesia — Vagando na Babilônia/Em Busca de Canaã” (2012), o grupo se destacou pela densidade lírica e pela abordagem espiritual.

Ao longo dos anos, o projeto passou por transformações profundas, incluindo o afastamento de Leonardo Irian após diagnóstico de esquizofrenia e seu retorno em trabalhos posteriores. Em 2024, a morte de Léo marcou definitivamente a história do grupo, gerando forte comoção na cena.

A partir dessa perda, a música seguiu como elemento central de reconstrução. Lançamentos recentes como “Giramundo 2” e “Luzes” abriram caminho para uma nova fase, que se consolida no álbum “Flor de Maio” (2025) e nas novas direções artísticas lideradas por Neto.

Dentro desse contexto, “Pelas Verdes, Pelas Rosas” se insere não apenas como uma colaboração, mas como continuidade de uma trajetória marcada por reflexão, resistência e reinvenção constante dentro da cultura hip hop.

Síntese e Murica encaram dilema da arte em novo single
Foto: William Monteiro
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