Criado para integrar cálculos estruturais, o Eberick completa 30 anos como peça-chave na transformação digital da construção civil brasileira.
O que começou como uma solução técnica para engenheiros nos anos 1990 hoje ocupa um papel central na evolução da construção civil. Desenvolvido pela AltoQi, o Eberick chega aos 30 anos consolidado como uma das plataformas mais influentes no cálculo estrutural no Brasil — e com presença crescente também no exterior.
Na origem, o desafio era claro: substituir processos manuais e fragmentados por um sistema integrado. Em vez de calcular partes isoladas de um edifício, o software passou a tratar a estrutura como um todo. Essa mudança não apenas agilizou projetos, como redefiniu o próprio fluxo de trabalho na engenharia.
Do cálculo manual à inteligência integrada
Antes do Eberick, cálculos estruturais podiam levar horas — ou até dias. Hoje, são feitos em segundos, com precisão ampliada e análise de variáveis complexas, como vento, vibração e comportamento global da estrutura.
Na prática, o software funciona como o “cérebro estrutural” de um projeto. Engenheiros modelam digitalmente vigas, pilares, lajes e fundações em um único ambiente. A partir daí, o sistema realiza simulações, verifica normas técnicas e antecipa problemas ainda na fase de projeto.
Esse avanço trouxe uma mudança direta no canteiro de obras. Decisões que antes eram tomadas com improviso passaram a ser resolvidas digitalmente. O resultado é mais previsibilidade, menos retrabalho e maior controle.
“Antes, muitos ajustes eram feitos no canteiro. Hoje, o projeto já chega resolvido. A obra passa a ser praticamente uma montagem”, afirma Rui Gonçalves.
Números que mostram o impacto
Atualmente, o Eberick soma mais de 10 mil usuários ativos. Apenas nos últimos dois anos, foram cerca de 200 mil projetos desenvolvidos, totalizando mais de 100 milhões de metros quadrados calculados.
Esses números refletem a presença da tecnologia em obras de diferentes escalas — de edifícios residenciais a estruturas complexas de grande porte. Ao mesmo tempo, indicam como o setor passou a depender de soluções digitais para garantir eficiência e segurança.
Uma virada no papel do engenheiro
Com a evolução da plataforma, o perfil do engenheiro também mudou. O profissional deixou de atuar apenas de forma operacional e passou a assumir um papel mais analítico e estratégico dentro dos projetos.
Segundo Luiz Fellippe de Souza, da AltoQi, o Eberick deixou de ser apenas uma ferramenta de cálculo. “Hoje, ele conecta dados, pessoas e decisões. Isso permite ganhos reais de produtividade e qualidade na construção civil”, afirma.
Além disso, a integração com a metodologia BIM ampliou a colaboração entre diferentes disciplinas, como elétrica e hidráulica. O projeto estrutural passou a dialogar diretamente com todas as áreas envolvidas.
Uma história marcada por decisões ousadas
O lançamento do Eberick, em 1996, aconteceu em um cenário de pressão internacional. Softwares estrangeiros começavam a chegar ao Brasil, exigindo respostas rápidas das empresas nacionais.
A AltoQi apostou em uma escolha arriscada na época: desenvolver o sistema para o ambiente Windows, ainda instável. A decisão, porém, se mostrou estratégica e garantiu vantagem competitiva nos anos seguintes.
A trajetória também carrega uma história pessoal marcante. O nome Eberick homenageia Ricardo Eberhardt, engenheiro fundamental na origem da empresa, que finalizou uma versão crucial de um software mesmo durante tratamento de saúde.
“O nome Eberick vem do apelido que ele usava. Foi a forma que encontramos de eternizar alguém que foi fundamental para tudo isso existir”, relembra Rui Gonçalves.
Tecnologia moldada por quem usa
Um dos diferenciais do Eberick está na evolução contínua baseada na experiência dos próprios engenheiros. Ao longo dos anos, o software foi sendo ajustado a partir de demandas reais do mercado.
Essa proximidade criou uma relação de longo prazo com os usuários. Empresas relatam ganhos diretos em produtividade e crescimento de projetos, enquanto destacam a confiabilidade da plataforma ao longo do tempo.
Mais do que acompanhar mudanças, o sistema também ajudou a impulsioná-las — especialmente na adoção de práticas mais digitais e integradas na construção civil brasileira.
O próximo passo: inteligência e industrialização
Agora, o Eberick entra em uma nova fase. A incorporação de inteligência artificial promete ampliar ainda mais sua capacidade de análise, sugerindo melhorias e identificando inconsistências automaticamente.
Esse movimento acompanha uma tendência maior: a industrialização da construção. Com processos mais previsíveis e integrados, cresce a demanda por projetos cada vez mais detalhados e digitais.
Nesse cenário, o engenheiro ganha espaço para focar na concepção e qualidade técnica, deixando tarefas repetitivas para a tecnologia. O Eberick, que nasceu como ferramenta, se posiciona agora como parte de um ecossistema mais amplo.
Trinta anos depois, a plataforma segue evoluindo — não apenas acompanhando a transformação da engenharia, mas ajudando a desenhar seus próximos passos.


