A cortiça alentejana, usada até pela NASA, é colhida sem cortar árvores e renasce em 9 anos — e vira design, moda e artesanato na região.
Leve, elástica, resistente e impermeável, a cortiça vai muito além das rolhas. No Alentejo, maior região de Portugal, ela é parte da paisagem, da economia e da identidade cultural — e carrega uma mistura rara de ciência, tradição e sustentabilidade.
Cortiça: um ciclo sustentável que respeita a árvore
O segredo começa no sobreiro. A cortiça nasce da casca dessa árvore e pode ser retirada sem derrubá-la. A extração é feita com cuidado, preserva o tronco e permite que a casca volte a crescer para uma nova colheita a cada 9 anos.
Por ser totalmente natural, reciclável, renovável e reutilizável, a cortiça do Alentejo virou referência de exploração sustentável. Em outras palavras: o material tem valor económico, mas o tempo da natureza dita o ritmo.
Por que o Alentejo lidera a cortiça no mundo
O Alentejo concentra 72% dos sobreiros de Portugal. Esse peso territorial ajuda a manter o país no topo da produção mundial, com cerca de 46% de toda a matéria-prima utilizada no planeta.
Entre montados centenários e planícies abertas, a extração segue como um dos ofícios mais antigos e valorizados da região. Ainda hoje, o trabalho no campo sustenta uma cadeia que vai do corte ao design de produtos finais.
O material que protegeu foguetes — e cabe no seu dia a dia
Além de sustentável, a cortiça soma propriedades difíceis de encontrar num só material. Ela é leve, elástica, resistente, impermeável a líquidos e gases, hipoalergénica e muito tolerante ao fogo e a altas temperaturas. Por isso, as aplicações vão do artesanato às indústrias mais avançadas.
Um exemplo que chama atenção: a NASA já utilizou cortiça como isolante térmico em seus foguetes. Essa mesma base tecnológica e natural também aparece em soluções de construção civil, revestimentos, mobiliário, acessórios, roupa e calçado.
Artesanato e visitas: onde ver a cortiça ganhar forma
No Alentejo, a versatilidade vira peça com identidade local. Artesãos e fábricas transformam cortiça em malas, bijutarias, utensílios, decoração e lembranças que combinam design, tradição e sustentabilidade.
Em Azaruja, por exemplo, é possível visitar fábricas de cortiça e acompanhar o processo de transformação da matéria-prima. Além disso, propriedades rurais da região convidam viajantes a caminhar entre sobreiros centenários e a conhecer o ciclo da cortiça no próprio montado.
Foto: Divulgação



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