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Acre quer virar rota global e encurtar caminho ao Pacífico

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Com promessa de reduzir em até 15 dias o transporte à Ásia, Acre apresenta no Rio plano para virar corredor logístico e polo de economia verde.

O Acre quer mudar sua posição no mapa econômico brasileiro — e começou pelo Rio de Janeiro. Durante o evento “Vem pro Acre – Amazônia: Conexão Pacífico, Turismo e Negócios”, o governo estadual apresentou uma estratégia que mira diretamente o comércio internacional, apostando na proximidade com o Oceano Pacífico como diferencial competitivo.

A proposta é clara: transformar o estado em uma espécie de porta de entrada do Brasil para mercados asiáticos. Segundo a governadora Mailza Assis, essa mudança passa por infraestrutura, integração regional e um modelo econômico alinhado à sustentabilidade.

“O estado se posiciona como a porta brasileira de conexão com o Oceano Pacífico e como corredor logístico capaz de ampliar a integração comercial do Brasil com os mercados internacionais”

O evento reuniu empresários, representantes do governo federal, embaixadas, consulados e instituições como o Sebrae. Mais do que uma vitrine institucional, o encontro funcionou como uma tentativa concreta de reposicionar o Acre no cenário econômico nacional e internacional.

Um atalho estratégico até a Ásia

O principal argumento apresentado está na geografia. O Acre possui mais de 2 mil quilômetros de fronteira internacional, sendo a maior parte com o Peru. Essa proximidade permite acesso mais rápido ao Porto de Chancay, no Pacífico, encurtando em até 15 dias o tempo de transporte de mercadorias para a Ásia.

Na prática, isso pode reduzir custos logísticos e tornar produtos brasileiros mais competitivos. A estratégia ganha força com a retomada das Rotas de Integração Sul-Americana, especialmente o chamado Quadrante Rondon, que conecta o estado a países vizinhos e amplia sua capacidade de exportação.

Economia verde como eixo central

Ao mesmo tempo, o governo aposta em um discurso que combina crescimento econômico com preservação ambiental. Com cerca de 85% do território coberto por floresta, o Acre busca se consolidar como referência em sustentabilidade.

Entre os exemplos apresentados está o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (Sisa), que inclui iniciativas como o ISA Carbono. O estado mantém parcerias com instituições internacionais como o Banco Mundial, o BID e o banco alemão KfW, além de projetos apoiados pelo Fundo Amazônia.

Esse modelo já movimentou centenas de milhões de reais e fortalece a aposta em uma economia de baixo carbono. A ideia é clara: gerar renda sem abrir mão da floresta.

Investimentos e crescimento recente

Os números apresentados ajudam a sustentar o discurso. O orçamento estadual saltou de R$ 8,9 bilhões em 2023 para uma projeção de R$ 13,8 bilhões em 2026 — crescimento de 55%.

Além disso, mais de R$ 410 milhões foram destinados a programas nas áreas ambiental, agrícola e de empreendedorismo. O foco está em fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e ampliar oportunidades de trabalho.

Outro destaque é a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), considerada peça-chave para a nova estratégia econômica. Um acordo firmado com a Zona Especial de Desenvolvimento de Ilo, no Peru, deve facilitar o acesso a portos do Pacífico e reduzir a dependência das rotas tradicionais do Sudeste e Sul.

Turismo, cultura e identidade

Mas o plano não se limita à exportação de commodities. O Acre também aposta no turismo sustentável e na valorização cultural como motores econômicos.

O etnoturismo aparece como um dos principais vetores, integrando comunidades indígenas, conservação ambiental e geração de renda. Produtos como biojoias, artesanato, óleos vegetais e gastronomia regional ajudam a construir uma narrativa econômica baseada na identidade amazônica.

Ao mesmo tempo, subsídios ao extrativismo sustentável fortalecem cadeias ligadas à bioeconomia, ampliando o alcance dessas atividades.

Um projeto de longo prazo

Todas essas iniciativas estão organizadas na chamada Agenda Acre 10 Anos, que estrutura o desenvolvimento em seis pilares, incluindo infraestrutura, inovação, capital humano e governança.

O plano está alinhado a estratégias nacionais e internacionais de longo prazo, como a Estratégia Brasil 2050 e a agenda Amazônia 2050, reforçando a tentativa de inserir o estado em um contexto mais amplo de desenvolvimento sustentável.

Durante o evento, Mailza Assis reforçou que o objetivo vai além de atrair investimentos. Trata-se de mudar a percepção sobre o Acre e seu papel no país.

“É possível extrair da preservação ambiental um modelo econômico sustentável. Temos capacidade de produção e um turismo pujante”

A mensagem final é direta: integrar para crescer. E, nesse cenário, o Acre tenta deixar de ser visto como ponto distante no mapa para se tornar um elo estratégico entre o Brasil e o mundo.


Serviço


Acre quer virar rota global e encurtar caminho ao Pacífico
Foto:  Christian Rodrigues
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