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Cidades paulistas guardam muralhas e casarios desde o Brasil colônia

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Muralhas erguidas no século XVI, conjuntos coloniais intactos e antigas rotas de tropeiros compõem um circuito histórico paulista que preserva as origens da formação nacional.

Construções que resistiram a ataques piratas, estruturas do início da exploração da cana-de-açúcar e propriedades rurais do ciclo cafeeiro integram a lista de patrimônios abertos à visitação em território paulista. A seleção, estruturada pela Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) para marcar o Dia do Patrimônio Histórico Nacional, reúne sete municípios com acervos arquitetônicos representativos de diferentes períodos.

O território paulista reúne construções remanescentes desde o século XVI, com centros históricos preservados e marcos das primeiras expedições coloniais.

Fortificações militares e primeiros assentamentos no litoral

Em Bertioga, a estrutura do Forte São João se destaca como a mais antiga fortificação erguida no país. Inicialmente estruturada em madeira no ano de 1536 e reconstruída em alvenaria 15 anos depois, a edificação serviu como ponto de defesa contra corsários e ofensivas indígenas, tendo abrigado inclusive o padre José de Anchieta. Administrado pela prefeitura local e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o espaço tem entrada gratuita.

No litoral sul, Santos guarda o Engenho dos Erasmos, sítio arqueológico construído por ordem de Martim Afonso de Sousa no século XVI e gerido pela USP. O município também abriga o Museu de Arte Sacra de Santos, instalado no antigo Mosteiro de São Bento, anexo à Igreja de Nossa Senhora do Desterro, de 1631. O local expõe a imagem de Nossa Senhora da Conceição, esculpida em 1560 e apontada como a mais antiga do Brasil.

Mais ao sul, a estância de Iguape concentra o mais extenso conjunto de casario colonial em ruas de paralelepípedo do estado. O centro preserva a primeira Casa de Fundição do país, datada de 1630 e hoje integrada ao Museu Municipal, além da Basílica de 1780 e templos dedicados a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

Memória colonial e rotas cafeeiras no interior e serra

Fundada por volta de 1580, Santana de Parnaíba mantém mais de 200 edificações tombadas em seu centro, configurando um dos núcleos coloniais mais preservados de São Paulo. O complexo inclui a Igreja Matriz original e o Museu Anhanguera, voltado à documentação das expedições bandeirantes.

Com traçado do século XVIII, o centro de São Luiz do Paraitinga reúne fachadas coloridas associadas à produção agrícola cafeeira e às rotas comerciais, abrigando a Matriz e a Casa Oswaldo Cruz. Na Serra da Bocaina, a cidade de Bananal preserva a memória do apogeu do café entre 1830 e 1880, com destaque para a Fazenda Boa Vista (de 1780), a antiga estação ferroviária e a Pharmácia Popular, em funcionamento contínuo desde o período imperial.

Marcos da fundação e da política na capital

Na capital, o circuito envolve o Páteo do Collegio, marco da fundação de São Paulo em 1554 por Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, que reúne maquete da vila original, mapas e acervo jesuíta. Na zona Oeste, a Casa do Bandeirante retrata a dinâmica dos tropeiros nos séculos XVII e XVIII.

O acervo republicano e imperial se estende ao Museu do Ipiranga, detentor do quadro Independência ou Morte e de peças da família imperial, e ao Obelisco do Ibirapuera, mausoléu com 72 metros de altura dedicado a mais de 700 combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932.

Origem da data de preservação

Celebrado em 17 de agosto, o Dia do Patrimônio Histórico Nacional homenageia o historiador mineiro Rodrigo Melo de Andrade, nascido em 1898. Primeiro presidente do IPHAN (onde atuou de 1937 a 1967), ele foi o responsável por estruturar as bases jurídicas de proteção ao patrimônio cultural brasileiro.

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