Ícone do site Aurora Cultural

Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada

Parque Nacional do Superagui inaugura a Trilha do Ararapira, com 15 km e investimento de R$ 2 milhões, ligando comunidades caiçaras no litoral do PR.

Instagram
Siga o Aurora Cultural no Instagram
Seguir @auroraculturalportal

O Parque Nacional do Superagui, no litoral norte do Paraná, inaugurou sua primeira trilha bimodal estruturada e aberta à visitação permanente. Financiada pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP), a Trilha do Ararapira tem 15 quilômetros e integra a Travessia do Superagui, percurso de cerca de 40 quilômetros que cruza a ilha de norte a sul, ou no sentido inverso.

A travessia completa reúne três trechos: Trilha do Ararapira (15 km), Praia Deserta (21 km) e Trilha da Praia Deserta (3 km). O trajeto conecta praias isoladas, áreas de mata e comunidades tradicionais, sob coordenação do Núcleo de Gestão Integrada Antonina–Guaraqueçaba do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Localizada na porção norte da Ilha do Superagui, a Trilha do Ararapira atravessa a comunidade de Barra do Ararapira e foi estruturada em dois trechos. No segmento inicial, de três quilômetros, há cinco pontes suspensas. Já no trecho de 11 quilômetros, foram instaladas duas pontes suspensas e uma passarela de 50 metros para cruzar áreas sujeitas a alagamentos.

A sinalização segue o padrão da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas). Segundo o ICMBio, a proposta é fortalecer o turismo sustentável e o turismo de base comunitária no parque.

“A Trilha é o primeiro atrativo turístico estruturado e sinalizado aberto à visitação pública desde a criação do Parque Nacional do Superagui, há 36 anos”, afirma Wagner Cardoso, analista ambiental do ICMBio e coordenador da iniciativa.

O percurso foi planejado para uso por caminhantes e ciclistas. Para Wagner, a estrutura amplia o acesso a diferentes perfis de visitantes e reforça o vínculo com a biodiversidade e as paisagens do parque.

“A trilha estruturada permite que diversos perfis de visitantes conheçam as belezas cênicas e a rica biodiversidade do Parque, gerando um sentimento de pertencimento e valorização deste patrimônio natural protegido pela Unidade de Conservação”, reforça.

O projeto recebeu cerca de R$ 2 milhões do BLP para construir sete pontes suspensas, instalar passarela em trechos alagáveis e implantar a sinalização. Além disso, está previsto um novo aporte de R$ 200 mil para viabilizar uma ponte adicional que facilitará o acesso ao Camping da Dona Rosa, na Praia Deserta de Superagui.

“A SPVS, como instituição que integra o Conselho do BLP, comemora a inauguração da Trilha do Ararapira, no Parque Nacional do Superagui e parabeniza todos os envolvidos, em especial os gestores do ICMBio que coordenaram este trabalho. Como parte da Trilha da Grande Reserva Mata Atlântica, integrante da Rede Brasileira de Trilhas De Longo Curso e Conectividade, este é um exemplo concreto de como infraestruturas implantadas no interior de Unidades de Conservação de Proteção Integral proporcionam atividades de uso público e promovem sua valorização pelas comunidades locais”, comenta Clóvis Borges.

Inauguração e cultura caiçara

A inauguração oficial ocorreu em 13 de dezembro, na Vila de Ararapira. A programação incluiu a realização da trilha e uma ação integrada com moradores e parceiros locais, além de solenidade com autoridades, órgãos ambientais e representantes da comunidade.

O evento terminou com um baile de fandango tradicional conduzido pela Família Pereira, destacando a valorização da cultura local e o papel do turismo de base comunitária como estratégia de desenvolvimento sustentável.

Para o pescador Márcio José Muniz, morador de Ararapira e dono de uma pousada na comunidade, a reabertura foi resultado de mobilização local e surgiu para garantir deslocamento da população. Segundo ele, a abertura natural da barra impactou transporte e rotas, inclusive para a educação.

“A ideia já tinha começado antes da pandemia. No começo, tiramos dinheiro do bolso, porque não tínhamos verba. Depois, conseguimos a liberação de recursos por meio do ICMBio e do BLP”, explicou.

Márcio também apontou o potencial de impacto regional do novo percurso, com efeitos esperados para Guaraqueçaba, Cananéia e entorno.

“Vai ser um grande avanço do turismo aqui, não só da nossa comunidade, mas de toda a região de Guaraqueçaba, Cananéia e entorno. Todo mundo vai ganhar com isso, e a minha palavra é agradecimento”, afirmou.

Já Waldir Aparecido Pereira, nascido em Ararapira, disse que a trilha amplia possibilidades e traz um aprendizado para conviver com o turismo, além de atrair novos visitantes para Barra e Ararapira.

“Hoje em dia tem turismo e não estava acostumado a viver com o turismo, agora vamos ter que aprender. Se você tiver a oportunidade, faça essa trilha, está muito linda. São novas pessoas que vão conhecer o lugar através dessa trilha, tanto aqui na Barra como na Ararapira”, afirmou.

Pelo ICMBio, a coordenadora-geral de Uso Público, Carla Guaitaneli, destacou o caráter inspirador da entrega para outras Unidades de Conservação. No Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima (MMA), o diretor de Áreas Protegidas, Pedro da Cunha e Menezes, ressaltou a construção coletiva e o engajamento comunitário.

“Isso aqui é muito mais do que abrir uma trilha. Faz com que pessoas do Brasil todo, de outras Unidades de Conservação, passem a gostar mais e a defender as UCs. É algo muito forte, muito potente, e que inspira outras pessoas e outros territórios”, ressaltou Carla Guaitaneli.
“O que vocês estão fazendo aqui é soma, está a comunidade, o município, a sociedade civil, a universidade e a iniciativa privada. Vamos gerar pertencimento, conservação e desenvolvimento, porque a trilha é linda, e o engajamento dos comunitários é muito bonito de ver”, comentou Pedro da Cunha e Menezes.

A chefe do Núcleo de Gestão Integrada Antonina–Guaraqueçaba do ICMBio, Camile Lugarini, reforçou a conexão entre pessoas, comunidades e natureza e disse que a construção do trajeto foi um esforço coletivo ao longo de anos.

“Conectar as pessoas à natureza é a nossa grande missão institucional, esse cuidado com a natureza junto com as pessoas”, afirmou.
“Foi um trabalho árduo, de muita determinação, com o envolvimento da comunidade, dos agentes ambientais e de toda a equipe. Cada pessoa aqui tem um pedaço dessa trilha”, disse.

Camile também afirmou que a trilha amplia oportunidades locais, com moradores cuidando e mantendo o espaço, além de fortalecer o turismo de base comunitária e a conexão entre unidades de conservação.

“A trilha traz essa oportunidade para a comunidade, com pessoas da própria região cuidando, mantendo e fortalecendo esse espaço, impulsionando o turismo de base comunitária e conectando diferentes unidades de conservação”, completou.

Conservação, fauna e turismo comunitário

Criado em 1989 e com cerca de 34 mil hectares, o Parque Nacional do Superagui protege ecossistemas da Mata Atlântica e espécies ameaçadas, como o mico-leão-da-cara-preta e o papagaio-de-cara-roxa, além de abrigar comunidades caiçaras. A retomada do acesso pela trilha começou em 2019, após pedido da comunidade da Barra de Ararapira ao ICMBio, motivado por dificuldades de navegação após o rompimento de uma barra na Ilha do Cardoso.

“A comunidade queria a reabertura da trilha para facilitar o deslocamento a pé até Ararapira, situada na extremidade norte da Ilha do Superagui. Percebemos o potencial para visitação turística dessa trilha e, em parceria com a comunidade, iniciamos o planejamento visando sua estruturação e sinalização para viabilizar a visitação pública”, relata Wagner.

A nova estrutura liga as comunidades de Barra do Superagui, Barra do Ararapira e Ararapira. Para o ICMBio, o objetivo é estimular o Turismo de Base Comunitária (TBC), com demanda por pousadas, alimentação e serviços gerada pela visitação na trilha e na travessia.

“O percurso servirá como um atrativo para os visitantes conhecerem essas localidades, alavancando o Turismo de Base Comunitária (TBC) através das demandas por pousadas, alimentação e serviços que surgirão em função da visitação na trilha e na travessia”, destaca o analista ambiental do ICMBio.

Com trechos de mata densa, manguezais e áreas alagadas, o trajeto também amplia as chances de observação de fauna. Segundo Wagner, visitantes podem avistar espécies como o mico-leão-da-cara-preta, bandos de papagaios-de-cara-roxa e, na região de Ararapira, guarás nos manguezais.

“Eventualmente os visitantes poderão apreciar o avistamento de espécies como o mico-leão-da-cara-preta ou bandos de papagaios-de-cara-roxa. Na região de Ararapira também é possível avistar bandos de guarás nos manguezais, que são aves de rara beleza devido à sua plumagem vermelha”, conta Wagner.

Placas informativas orientarão sobre conduta responsável e baixo impacto, reforçando a relação entre uso público e conservação. Além disso, o ICMBio aponta que a trilha aproxima visitantes de saberes e modos de vida do litoral paranaense.

“Além disso, aproxima as pessoas de saberes, histórias e modos de vida que fazem parte da identidade do litoral paranaense. É uma oportunidade de viver o território em diálogo com quem o habita e cuida dele”, complementa o coordenador da iniciativa.

Além do BLP, o projeto conta com apoio da Grande Reserva Mata Atlântica, responsável pela criação das “pegadas” de sinalização adotadas pela Rede Brasileira de Trilhas. A trilha será autoguiada, e visitantes poderão contratar condutores locais.

Parque preserva trecho raro da Mata Atlântica

Localizado no complexo estuarino-lagunar do Lagamar, o Parque Nacional do Superagui protege um dos trechos mais preservados da Mata Atlântica no país. O território reúne grandes ilhas costeiras, mais de 40 quilômetros de praias desertas, dunas, restingas, manguezais e florestas de planície, com espécies endêmicas e ameaçadas.

Ampliado em 1997, o parque integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e o Mosaico Lagamar, reconhecidos pela UNESCO. Além disso, preserva modos de vida de comunidades caiçaras e experiências culturais como o fandango, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A principal porta de entrada é a comunidade da Barra do Superagui, acessível por táxis náuticos saindo de Paranaguá e Guaraqueçaba. O local funciona como ponto de acesso a trilhas, praias e áreas de observação de fauna, incluindo golfinhos e, em determinadas épocas, raias-jamantas próximas à Ilha das Peças.

Como chegar

Saindo de Paranaguá: táxis náuticos levam até a comunidade de Barra do Superagui, permitindo iniciar a travessia rumo ao norte pela Praia Deserta.

Pelo norte da Ilha de Superagui: barcos chegam à comunidade de Ararapira pelo canal do Varadouro (divisa PR–SP). De lá, é possível seguir a pé ou de bicicleta rumo à Praia Deserta e à Barra do Superagui, no sentido norte-sul.

Sobre o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná

Criado em 2021, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná promove conservação, pesquisa e uso responsável dos recursos naturais. A iniciativa busca fortalecer Unidades de Conservação e impulsionar o desenvolvimento sustentável no litoral do estado.

O programa é financiado pelo Termo de Acordo Judicial (TAJ) firmado após o vazamento de óleo ocorrido em 2001. Segundo a apresentação do BLP, serão mais de R$ 110 milhões destinados a iniciativas estratégicas ao longo de dez anos.

A governança é compartilhada entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino superior e o ICMBio, com supervisão do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Paraná. A gestão financeira e operacional é do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO). Para saber mais: https://www.biodiversidadelitoralpr.com.br/

Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Superagui abre 1ª trilha para bike e caminhada
Foto: Divulgação
Sair da versão mobile