Após vencer processo por sorofobia, Beiçola do Privacy doa R$ 10 mil a ONG e reforça alerta sobre desinformação em torno do HIV.
O que começou como um ataque nas redes sociais terminou em um gesto que ultrapassa o campo pessoal. Martina Oliveira, conhecida como Beiçola do Privacy, decidiu transformar uma vitória judicial em ação concreta ao doar R$ 10 mil para uma ONG que atua com pessoas vivendo com HIV.
A decisão veio depois de um episódio de sorofobia que ganhou repercussão online. Segundo Martina, uma internauta afirmou ter medo de encostar nela por acreditar que poderia contrair HIV em um simples contato físico — uma informação falsa, mas ainda comum no imaginário coletivo.
O ataque e a resposta judicial
O caso começou quando a usuária de um perfil identificado como “Gótica de Direita” fez comentários ofensivos direcionados à criadora de conteúdo. Entre as declarações, a internauta afirmou que teria corrido para usar álcool em gel após um suposto contato, chamando Martina de “poço de DSTs”.
Martina decidiu levar a situação à Justiça. A ação foi baseada no caráter discriminatório das falas, associadas à desinformação sobre formas de transmissão do HIV. O processo teve decisão favorável à criadora, que recebeu R$ 5 mil como indenização.
“Só tem um detalhe: HIV não se passa por aperto de mão, abraço ou beijo, então eu processei”.
O episódio expõe um problema persistente. Mesmo com décadas de campanhas de conscientização, o desconhecimento ainda alimenta preconceitos e atitudes discriminatórias.
Da indenização à ação social
Após vencer o processo, Martina decidiu ampliar o impacto da decisão. Em vez de ficar com o valor recebido, ela dobrou a quantia com recursos próprios e destinou R$ 10 mil à ONG SOMOS, de Porto Alegre.
A organização atua na promoção de direitos, acolhimento e apoio a pessoas vivendo com HIV. A doação reforça o papel da sociedade civil no enfrentamento não apenas da doença, mas também do estigma que ainda a cerca.
Além disso, a atitude de Martina evidencia uma mudança de postura cada vez mais comum entre figuras públicas: usar visibilidade para gerar impacto social direto, especialmente em temas sensíveis.
https://x.com/martinaolvr_/status/2055303445540688385
O alerta sobre o HIV hoje
Profissionais ligados à ONG aproveitaram o caso para reforçar um ponto essencial: o HIV não está restrito a grupos específicos. A ideia de que apenas determinadas populações são afetadas é considerada ultrapassada e perigosa.
“É bem importante entender que isso não é mais uma questão de algumas populações, o HIV hoje não afeta só pessoas LGBT ou profissionais do sexo, é uma responsabilidade de toda a sociedade”, afirmou um dos representantes da instituição.
A fala aponta para um desafio atual: combater não só o vírus, mas também a desinformação. Em tempos de redes sociais, conteúdos imprecisos podem reforçar preconceitos e dificultar avanços na prevenção.
Entre exposição e narrativa própria
Martina Oliveira construiu sua carreira nas plataformas Privacy, Close Fans e Fatal Fans, onde produz conteúdo adulto e fala abertamente sobre sua trajetória. Segundo ela, os ganhos já ultrapassaram R$ 5 milhões ao longo dos anos.
No entanto, a visibilidade também traz efeitos colaterais. Casos como esse mostram como criadores de conteúdo, especialmente mulheres, ainda enfrentam ataques que misturam moralismo, desinformação e preconceito.
Ao transformar uma agressão em ação social, Martina reposiciona a narrativa. Em vez de permanecer no papel de alvo, assume o protagonismo de uma discussão maior — que envolve saúde pública, educação e respeito.
Serviço
- Nome: ONG SOMOS
- Atuação: Defesa de direitos e apoio a pessoas vivendo com HIV
- Local: Porto Alegre (RS)
- Doação recebida: R$ 10 mil
- Origem: Indenização judicial por sorofobia + complementação pessoal

