Executivos de Band, Record, SBT e Google debateram em SP como a TV 3.0 e a IA estão redesenhando a radiodifusão brasileira após a NAB Show 2026.
O Brasil foi a Las Vegas com mais de mil profissionais e voltou com uma convicção: a televisão como se conhecia não existe mais — e o que vem a seguir exige decisões que as emissoras não podem adiar. Foi com esse espírito que a SET reuniu, no Distrito Anhembi, em São Paulo, executivos da radiodifusão e da tecnologia para discutir os desdobramentos da NAB Show 2026 e do SET:30, realizados em abril nos Estados Unidos.
O encontro não foi um simples balanço de viagem. Serviu de termômetro para onde o setor audiovisual brasileiro está e para onde precisa ir diante de uma transformação que já está em curso.
Um país no centro das discussões globais
A diretora-geral da SET, Luana Bravo, abriu o evento destacando o peso da presença brasileira em Las Vegas. Segundo ela, o país teve papel de destaque na edição deste ano, especialmente pelas discussões em torno da TV 3.0 e da evolução da radiodifusão nacional, com representantes do governo e de entidades do setor compondo a delegação.
Paulo Henrique Castro, presidente da SET e CEO e fundador da Mediatech Lab, foi além. Para ele, a atenção dos agentes públicos à pauta da radiodifusão brasileira ampliou a relevância do Brasil dentro das discussões globais sobre o futuro da televisão. “Tivemos uma atenção importante dos agentes públicos para a radiodifusão brasileira, o que ampliou a relevância do Brasil dentro da NAB e das discussões globais sobre o futuro da televisão”, disse.
Broadcast e broadband: o fim de dois mundos separados
Se há um tema que atravessou todos os painéis, foi a convergência entre a transmissão linear e a conectividade IP. A TV 3.0 não é apenas uma atualização técnica: é uma reconfiguração completa do modelo de distribuição de conteúdo.
Eliésio Silva Júnior, diretor de Vendas Brasil da Video Solutions da Harmonic, colocou em termos diretos o que essa mudança significa na prática.
A TV 3.0 une dois mundos que historicamente estavam separados: broadcast e broadband. Estamos migrando de um modelo linear para uma arquitetura baseada em múltiplas possibilidades de distribuição, conectividade e monetização.
Marcelo Amoedo, diretor de Vendas Sênior da SES, apresentou arquiteturas baseadas em DVB-NIP, tecnologia que integra broadcast e ecossistema IP em larga escala. A proposta é reunir OTT, CDN e cloud em uma mesma estrutura — e ainda viabilizar publicidade segmentada inserida dinamicamente durante a transmissão. A Eutelsat também participou dos debates sobre infraestrutura híbrida, que incluíram distribuição via satélite, integração com IP multicast, datacasting e recepção indoor.
A inteligência artificial que saiu da promessa e entrou na operação
Outro bloco do evento foi dedicado ao avanço da IA nos bastidores das emissoras. A discussão não ficou no campo teórico: executivos do Google, Mediastream, EiTV e SBT analisaram casos concretos de automação operacional, geração de conteúdo, análise de audiência e orquestração de fluxos.
Fernando Bonifacio, gerente de Desenvolvimento Digital do SBT, resumiu o que ficou claro na NAB 2026: “A inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou a ocupar um papel efetivo nos workflows das emissoras.” A afirmação encontrou eco na fala de Marcel Corrado, gerente de Parcerias Estratégicas para Mídia e Entretenimento do Google.
Hoje não falamos mais em caixas, mas em fluxos. A IA já faz parte da operação de mídia e do modo como o conteúdo é entregue ao consumidor.
Raphael Barbieri, CTO da EiTV, projetou o próximo passo: a interatividade em escala, impulsionada pelos grandes eventos esportivos. Na visão dele, a convergência entre TV aberta, OTT e dispositivos móveis vai permitir experiências com participação em tempo real — algo que, até pouco tempo, estava no campo da especulação.
Emissoras diante do legado e do futuro
O painel de encerramento trouxe para a mesa os radiodifusores que precisam, na prática, tomar as decisões mais difíceis: Band, Record TV e Rede CNT. O desafio comum a todas é modernizar sem apagar o que já foi construído.
Thiago Perrella, diretor de Engenharia e Tecnologia da Band, nomeou o problema com precisão: “O desafio é entender como reconstruir a partir do legado existente e transformar processos com eficiência operacional e novos modelos de negócio.” José Marcelo Amaral, diretor de Engenharia e Operações da Record TV, traduziu a mudança de perspectiva que a NAB deixou mais clara: a televisão passou a ser enxergada como plataforma — conectada, interativa e integrada ao comportamento digital do consumidor.
Robson Tavares, diretor técnico da Rede CNT, apontou a mobilidade como vetor central dessa transformação, com o 5G Broadcast ocupando um papel cada vez mais relevante nas discussões sobre distribuição de sinal.
Mais do que tecnologia
Ao encerrar o encontro, Paulo Henrique Castro deixou uma provocação que vai além das especificações técnicas. Para ele, o setor precisa discutir modelos de negócio, formação profissional e a evolução de toda uma indústria diante de um ecossistema de mídia em transformação acelerada.
A TV 3.0 já não é mais uma questão de quando. A pergunta, agora, é como cada player vai se posicionar nesse novo mapa.
Serviço
- Evento: SET — Debate pós-NAB Show 2026 e SET:30
- Realização: SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão)
- Local: Distrito Anhembi, São Paulo (SP)
- Data: Maio de 2026
- NAB Show 2026 e SET:30: realizados em abril de 2026, em Las Vegas, EUA


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