A estação ferroviária de Morretes se transformou no ponto de partida de uma iniciativa inédita no país. O espaço recebeu a primeira reunião do grupo de trabalho da marca coletiva Somos Mata Atlântica – PR, proposta que pretende integrar produtos regionais, serviços e experiências turísticas sob uma mesma identidade territorial ligada à Mata Atlântica paranaense.
O encontro reuniu representantes do setor público, empresários, produtores locais e lideranças comunitárias de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba. Mais do que um evento institucional, a reunião marcou o início da construção prática da governança da marca, com discussões sobre critérios de qualidade, sustentabilidade e pertencimento territorial.
Uma marca que nasce do território
A proposta da Somos Mata Atlântica é funcionar como um selo de credibilidade que conecta diferentes cadeias produtivas e experiências ligadas à floresta. A ideia é reunir, sob um mesmo conceito, desde alimentos e artesanato até o turismo de base comunitária.
Entre os produtos já contemplados estão banana, mandioca, pupunha, juçara e itens artesanais, além de atividades turísticas que valorizam o contato direto com a natureza e a cultura local. O objetivo é fortalecer uma identidade regional que vá além do consumo e se conecte com a preservação ambiental.
O projeto é desenvolvido por meio da iniciativa Nossas Marcas, em parceria entre Invest Paraná, Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), com financiamento da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), via Fundo Paraná. A governança futura ficará sob responsabilidade da Adetur Litoral.
Construção coletiva e diretrizes
Ao longo do dia, os participantes se dedicaram à construção das bases do regulamento da marca. Foram discutidos critérios de adesão, mecanismos de comprovação de qualidade e estratégias para garantir que a iniciativa respeite as especificidades das comunidades envolvidas.
A proposta é que o crescimento da marca aconteça de forma gradual, acompanhando a evolução dos padrões de sustentabilidade, qualidade e identidade territorial. Esse cuidado busca evitar distorções e garantir que o selo represente, de fato, os valores da região.
“Essa é a primeira marca coletiva a reunir turismo e produto dentro de um mesmo território. É um trabalho que a Invest Paraná vem desenvolvendo e se especializando, a partir de uma demanda da própria comunidade.”
A afirmação é de Bruno Banzatto, gerente de Desenvolvimento Econômico da Invest Paraná, que destacou o caráter inovador do projeto. Segundo ele, a expectativa é que a marca esteja disponível para a sociedade após a consolidação do regulamento.
Para Patrícia Assis, gestora executiva da Adetur Litoral, a iniciativa reflete um processo construído de dentro para fora, a partir das demandas reais das comunidades locais.
“É a consolidação de uma construção coletiva que visa não só o escoamento desses produtos regionais, mas a valorização do patrimônio e da cultura local. A marca coletiva representa a união territorial em torno da floresta da Mata Atlântica.”
Turismo e desenvolvimento integrado
Um dos diferenciais da marca coletiva é justamente a integração entre produção e turismo. A iniciativa busca posicionar o litoral do Paraná como um destino com identidade própria, valorizando não apenas suas paisagens, mas também suas práticas culturais e produtivas.
Entre os apoiadores institucionais está a Serra Verde Express, que integra o grupo de governança da marca. A empresa participa das discussões voltadas ao fortalecimento do turismo sustentável e à promoção dos produtos regionais.
Nos últimos anos, a Serra Verde Express tem ampliado sua atuação em experiências de ecoturismo, especialmente em roteiros que envolvem natureza e turismo comunitário. A expectativa é que a empresa contribua também na comercialização e divulgação dos produtos vinculados à marca, aproveitando o fluxo turístico da região.
“Fortalecer essa imagem de forma integrada é fundamental para valorizar tudo o que o nosso litoral representa.”
A avaliação é de Tiago Choinski, gerente da filial Morretes da Serra Verde Express. Ele destaca que o litoral paranaense reúne características únicas, como a combinação entre praias, ilhas, Serra do Mar e áreas preservadas de Mata Atlântica, além de atividades como trilhas, caminhadas e remadas.
O papel estratégico de Morretes
A escolha da estação ferroviária de Morretes como sede do encontro não foi casual. O local é um dos principais pontos de entrada de visitantes no litoral do Paraná e recebe mais de 250 mil pessoas por ano, consolidando-se como um espaço estratégico para ações de promoção regional.
A expectativa é que, no futuro, a estação também seja incorporada às estratégias de divulgação da marca coletiva, funcionando como vitrine para os produtos e experiências ligados à Mata Atlântica.
Além das discussões técnicas, o encontro também contou com a participação ativa de produtores e empresários locais, que já vinham contribuindo em oficinas preparatórias. A intenção é garantir que o regulamento final seja viável, inclusivo e alinhado com a realidade de quem está diretamente envolvido na produção e no turismo.
Próximos passos
A construção da marca coletiva ainda está em fase inicial. As próximas etapas incluem novas reuniões técnicas e oficinas regionais, que devem aprofundar os critérios de adesão e estruturar oficialmente o modelo de governança.
O avanço dessas etapas será determinante para consolidar a Somos Mata Atlântica – PR como uma referência nacional em desenvolvimento territorial integrado, conectando economia, cultura e preservação ambiental em um mesmo projeto.
Serviço
- Evento: 1ª reunião do grupo de trabalho da marca coletiva Somos Mata Atlântica – PR
- Local: Estação Ferroviária de Morretes
- Data: quarta-feira (27)
- Participação: representantes do setor público, empresários, produtores locais e lideranças comunitárias de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba


