A Novo Império escolheu um enredo que mergulha nas origens da existência para o Carnaval 2027. Com “Yá Omó Ejá – Mãe cujos filhos são peixes”, a escola propõe uma leitura simbólica da água como princípio universal da vida, colocando Iemanjá no centro de uma narrativa que atravessa ancestralidade, cultura e identidade.
A proposta se ancora na ideia de que a água não é apenas elemento natural, mas também fundamento espiritual e cultural. A partir desse ponto, o enredo constrói um caminho que conecta diferentes visões de mundo, sempre reforçando o papel do feminino como força geradora e organizadora da vida.
Uma narrativa guiada pela ancestralidade
Desenvolvido pelos carnavalescos Alex Santiago, Jorge Caribé e Elvis Luis, o enredo parte da cosmogonia africana para sustentar sua base conceitual. A ideia central afirma que toda existência nasce do elemento líquido e que esse princípio está diretamente ligado à força feminina, representada por Iemanjá.
A construção narrativa não se limita a uma única tradição. Ao contrário, ela amplia o olhar para mostrar como diferentes civilizações, ao longo da história, reconheceram a água como origem da vida. Esse ponto de convergência simbólica reforça a universalidade do tema e cria um elo entre culturas distintas.
Ao adotar essa abordagem, a escola transforma o desfile em um espaço de reflexão, onde mito, história e identidade se entrelaçam. A figura de Iemanjá, nesse contexto, deixa de ser apenas um símbolo religioso e passa a representar um conceito mais amplo de criação e continuidade.
Da travessia à transformação cultural
Outro eixo importante do enredo é a travessia atlântica, apresentada como um marco histórico que redefiniu trajetórias e identidades. A proposta evidencia a resistência cultural dos povos africanos que, mesmo diante da diáspora, conseguiram preservar suas crenças, práticas e conhecimentos.
Esse movimento de deslocamento forçado é tratado não apenas como ruptura, mas também como ponto de reinvenção. No Brasil, essas tradições encontram os saberes dos povos originários e dão origem a novas formas de expressão religiosa e cultural, marcadas pelo sincretismo e pela adaptação.
O enredo, assim, constrói uma linha narrativa que conecta passado e presente, destacando como essas heranças continuam vivas e influentes. A água, nesse percurso, aparece como elemento de ligação — seja como símbolo espiritual, seja como caminho físico das travessias.
Iemanjá como eixo simbólico
No centro da narrativa está Iemanjá, reconhecida como a grande mãe das águas e geradora da vida. Sua presença organiza o enredo e serve como ponto de convergência entre os diferentes temas abordados.
A escolha da divindade reforça a dimensão simbólica do desfile, trazendo para a avenida uma representação que dialoga com espiritualidade, natureza e identidade coletiva. Ao mesmo tempo, evidencia a força das matrizes africanas na formação cultural brasileira.
Mais do que uma homenagem, o enredo propõe uma leitura ampla e estruturada sobre a importância da água e do feminino na construção da vida e das sociedades. Essa abordagem amplia o alcance da narrativa e cria múltiplas camadas de interpretação.
Desfile na Série Bronze
A Novo Império levará esse enredo para a Intendente Magalhães, onde desfila pela Série Bronze do carnaval carioca. O palco é conhecido por reunir escolas que apostam em criatividade e identidade para conquistar público e jurados.
Com uma proposta que une ancestralidade, história e simbologia, a escola apresenta um projeto que busca se destacar pela consistência temática e pela conexão com elementos fundamentais da cultura brasileira.
Serviço
- Escola: Novo Império
- Enredo: Yá Omó Ejá – Mãe cujos filhos são peixes
- Carnavalescos: Alex Santiago, Jorge Caribé e Elvis Luis
- Grupo: Série Bronze
- Local: Intendente Magalhães

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