O forró ganha protagonismo no início de julho com a chegada do show “Pra Fazer Forró – Lá e Cá”, de Alex Corrente, a três unidades do Sesc RJ. Com apresentações entre os dias 3 e 5 de julho, o projeto transforma os espaços em verdadeiros terreiros de celebração coletiva, unindo tradição nordestina, contemporaneidade e inclusão.
Mais do que um espetáculo musical, a circulação propõe uma experiência sensorial e democrática, com interpretação em Libras e ingressos acessíveis. A proposta amplia o alcance do forró como linguagem cultural e reforça seu papel como espaço de encontro e pertencimento.
Três palcos, diferentes encontros
A turnê passa por três cidades fluminenses, cada uma com características próprias e participações especiais que enriquecem a experiência do público. No Sesc Nogueira, em Petrópolis, a apresentação acontece no dia 3 de julho, às 20h, com participação da cantora Marimelo.
No dia 4 de julho, às 16h, o show chega ao Sesc Cocotá – Biblioteca Euclides da Cunha, integrando a programação da Festa Junina na Colônia de Pescadores Z-10. Nesta data, quem divide o palco é a zabumbeira Diane Terra, reforçando a presença feminina no gênero.
Encerrando a circulação, o espetáculo ocupa o Sesc São João do Meriti no dia 5 de julho, às 20h, dentro do Arraiá Sesc, reunindo as duas convidadas em uma apresentação que promete sintetizar a proposta do projeto.
Entre tradição e contemporaneidade
No palco, Alex Corrente assume voz e triângulo, acompanhado por um trio de músicos com sólida trajetória: Cicinho Silva na sanfona, Rogério Marcos Sales na zabumba e Lincoln Pontes no cavaquinho. A formação sustenta um repertório que equilibra pesquisa musical e energia popular.
O show transita entre composições autorais, como “Pra Fazer Forró” e “Deixa Quem Quiser Falar”, e clássicos de mestres como Luiz Gonzaga, Anastácia e Jackson do Pandeiro. A construção sonora percorre ritmos como baião, xote, xaxado, ijexá e maracatu, conectando diferentes camadas da cultura brasileira.
“O repertório foi construído por meio de uma pesquisa minuciosa, buscando as raízes da nossa cultura e também o que a elas dão continuidade.”
Segundo o artista, os mestres do forró são presença constante e indispensável. “Eles são a nossa escola, sempre vamos cantá-los”, afirma, ao destacar a influência direta dessas referências na construção do espetáculo.
Forró como espaço de inclusão
Idealizado pelo próprio Alex Corrente, o projeto foi contemplado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar e vem circulando por unidades do estado desde março de 2026. A iniciativa reforça o forró como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e amplia seu alcance por meio de ações inclusivas.
A presença de intérprete em Libras em todas as apresentações é um dos pilares da proposta, que busca garantir acesso pleno à experiência musical. A ideia é que diferentes públicos possam se conectar com a música, independentemente da forma como percebem o som.
“Esse show é para todas as pessoas com suas diferentes formas de escutar e sentir a música.”
O artista também destaca o caráter coletivo do forró, que ultrapassa a música e se manifesta na dança, na roda e na convivência. Para ele, o arrasta-pé é um espaço de interação genuína, onde novas conexões surgem ao ritmo da zabumba.
Trajetória que atravessa fronteiras
Capixaba, com carreira iniciada no fim dos anos 1990, Alex Corrente construiu um percurso sólido dentro do forró pé de serra. Premiado em festivais importantes, como o FENFIT e o Festival de Ilha Grande, ele acumulou experiências em bandas relevantes antes de consolidar a carreira solo em 2012.
Seu trabalho ganhou projeção internacional a partir de 2019, com turnês pela Europa e participação em eventos como o Festival DineDine, na França. Desde então, o artista vem ampliando sua presença fora do Brasil, levando o forró a novos públicos.
Com lançamentos autorais que circulam com força entre os bailes, como “Baile dos Ratos” e “Pode Crer que Sou”, Alex prepara um novo EP para 2026, reforçando sua posição como um dos nomes centrais do forró contemporâneo.
Nos palcos do Sesc RJ, essa trajetória se traduz em um espetáculo que equilibra respeito às raízes e energia atual, convidando o público a participar ativamente da experiência. Como resume o próprio artista, o convite é direto: preparar o passo e entrar na roda.
Serviço
- Show: Alex Corrente – Pra Fazer Forró – Lá e Cá
- Ingressos: Gratuitos (exceto São João de Meriti)
- Interpretação em Libras
- Duração: 60 minutos
- Classificação: Livre
- https://www.sescrio.org.br/unidades
- Sesc Nogueira – 3 de julho, sexta, às 20h; participação de Marimelo; gratuito (retirada 1h antes); End.: Estrada do Calembe, 2000 – Nogueira, Petrópolis/RJ
- Sesc Cocotá – 4 de julho, sábado, às 16h; participação de Diane Terra; gratuito (sujeito à lotação); End.: Praia de Cocotá, 82 – Cocotá, Rio de Janeiro/RJ
- Sesc São João do Meriti – 5 de julho, domingo, às 20h; participação de Diane Terra e Marimelo; ingressos: R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia), R$ 7 (credencial plena), R$ 9 (convênio); vendas a partir de 30/6; End.: Av. Automóvel Clube, 66 – Centro, São João de Meriti/RJ


