Uma mulher acorda sem passado e encontra no próprio reflexo pistas que desafiam sua identidade — é assim que Telma Brites transforma memória, envelhecimento e pertencimento em eixo de seu novo romance.
A trajetória de Telma Brites ganha um novo capítulo na Bienal do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro. A autora lança o inédito Entre Espelhos e Memórias e, ao mesmo tempo, revisita sua própria história ao celebrar os 10 anos da Trilogia Gaia com uma edição especial em volume único, Gaia – A Última Descendente, ambos pela editora Coerência.
Nascida em Cafarnaum, na Bahia, e vivendo na Alemanha desde 2001, a escritora construiu uma obra atravessada por deslocamentos culturais. Essa experiência aparece agora em uma narrativa que mergulha em perguntas essenciais sobre identidade e reconstrução.
“Quem somos quando deixamos de olhar apenas para a aparência e passamos a enxergar a pessoa inteira?”
Quando o passado desaparece, o que sobra
No centro do romance está Telúria, uma mulher de meia-idade que desperta em um hospital em Berlim sem qualquer lembrança de quem é. Sem documentos e sem referências, ela tenta reconstruir a própria história enquanto um espelho passa a revelar cenas enigmáticas envolvendo outra figura, Grace.
A partir desse ponto, a narrativa mistura memória, sonho e consciência, sem oferecer respostas diretas. A ambiguidade é intencional. Segundo a autora, o desafio foi permitir que cada leitor interprete os acontecimentos sem perder o vínculo emocional com a personagem.
Envelhecer também é conflito
Entre os temas que atravessam a obra, o etarismo ganha destaque. Aos 63 anos, Telma Brites parte de uma inquietação pessoal: a distância entre a idade refletida no espelho e aquela que se sente por dentro.
A protagonista sintetiza esse embate. Mesmo cheia de desejos e projetos, ela é constantemente reduzida à própria idade. Sem recorrer a discursos diretos, o livro propõe uma reflexão sobre envelhecimento feminino, autoestima e liberdade para recomeçar.
Com 304 páginas, o romance se posiciona entre o psicológico e o existencial, sustentado mais pelas dúvidas do que por certezas.
Uma década depois, Gaia volta à origem
O lançamento também marca um retorno simbólico. Dez anos após Gaia – A Roda da Vida, a autora reúne pela primeira vez os três livros da saga em um único volume de 536 páginas, em capa dura.
A trilogia — que inclui ainda Gaia – O Templo Esquecido e Gaia – A Cidade da Luz — mistura fantasia, aventura e mitologia grega, acompanhando uma jovem ligada a uma profecia envolvendo descendentes de Poseidon. Publicada no Brasil, Alemanha e Angola, a série ganha agora uma versão que se aproxima da ideia original da autora: um único romance.
Do encontro com leitores ao retorno às origens
Durante a Bienal, Telma Brites participa de sessões de autógrafos nos dias 5 de setembro, às 10h, e 10 de setembro, às 15h, além de permanecer no evento ao longo de toda a programação.
Depois de São Paulo, a autora segue para Salvador, onde lança as obras no dia 18 de setembro, na Livraria Escariz, no Shopping Barra. Em seguida, retorna a Cafarnaum (BA), nos dias 25 e 26 de setembro, como convidada da feira do livro local, onde será homenageada com uma sala de leitura que leva seu nome.
Os livros estarão disponíveis após a Bienal na Amazon, em formato impresso e digital, além da venda direta pela editora Coerência e pelo perfil da autora.
Serviço
- Lançamentos na Bienal do Livro em São Paulo
- Entre Espelhos e Memórias
- Gaia – A Última Descendente (edição capa dura com os três volumes)
- Período: 4 a 13 de setembro
- Sessões de autógrafos: 5 de setembro, às 10h; 10 de setembro, às 15h


