A cadência do carnaval carioca cruza o país para aperfeiçoar o bailado de novos talentos no coração da Amazônia, promovendo um intercâmbio imersivo entre a tradição do Rio de Janeiro e a potência da cultura local.
Com um currículo que inclui a preparação de personalidades como Sabrina Sato, Viviane Araújo, Carol Castro e Virgínia Fonseca, Carlinhos do Salgueiro leva sua metodologia de movimento para a região Norte. O coreógrafo e diretor artístico do Acadêmicos do Salgueiro conduzirá um workshop inteiramente focado nos fundamentos e na malandragem cênica que caracterizam as grandes apresentações na avenida.
Nunca imaginei que o menino do Andaraí teria a oportunidade de conhecer mais de 20 países, representando o Brasil com a arte do samba no pé. O carnaval me abriu todas as portas que eu tive até hoje e eu só posso celebrar.
Intercâmbio cultural nos palcos amapaenses
A imersão será sediada no Theatro do Samba Francisco Lino, localizado em Macapá, e integra o calendário de ações do projeto “Passistas da Nação”. A iniciativa é idealizada pela agremiação Boêmios do Laguinho, uma das forças mais tradicionais do carnaval amapaense, visando capacitar não apenas a sua própria comunidade de passistas, mas também intérpretes e dançarinos de municípios vizinhos que desejam refinar a performance.
O treinamento, programado para os dias 21 e 22 de agosto de 2026, não exige testes ou pré-requisitos para os participantes. A ideia central é democratizar o acesso à experiência do coreógrafo, que há décadas atua nos bastidores e no palco das maiores apresentações carnavalescas, levando o gingado estruturado para além do eixo sudeste.
Dos arraiais populares à direção na Marquês de Sapucaí
Nascido no bairro carioca do Andaraí, berço histórico da boemia, o profissional de 53 anos moldou sua relação com a dança ainda na infância. A trajetória, que teve início nas coreografias de festas juninas e em celebrações caseiras, transformou-se em um método de dança reconhecido mundialmente na formação de rainhas de bateria e no treinamento rigoroso de passistas.
Expandir o ensino de sua arte e dividir conhecimentos técnicos são apenas os primeiros passos de um plano de descentralização. O diretor trabalha para viabilizar projetos de intercâmbio voltados às agremiações do grupo de acesso e a polos carnavalescos regionais, potencializando uma rede de sambistas engajados na renovação artística.
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