A ampliação do acesso a medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde descentraliza o socorro contra infarto e AVC isquêmico e promete acelerar intervenções críticas para salvar vidas e conter sequelas graves.
A dissolução imediata de coágulos sanguíneos passa a ser viabilizada de forma mais abrangente na rede pública após a sanção do Projeto de Lei nº 5.972/2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, 2 de setembro. A medida estabelece novos protocolos clínicos voltados a urgências cardiovasculares no âmbito do SUS, estendendo a aplicação de terapias trombolíticas para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais da rede.
Com o trombolítico agora sendo oferecido também aos hospitais que ainda não estão habilitados, o acesso ao tratamento será aumentado significativamente para a população. É uma enorme conquista e estamos realmente muito felizes com esse dia histórico, pois essa lei vai mudar completamente o cuidado dos pacientes, que serão tratados com dignidade e com o melhor tratamento que existe.
Os medicamentos atuam diretamente na desobstrução do fluxo sanguíneo comprometido pelo Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e pelo Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Desde 2012, o protocolo hospitalar para o AVC dependia de um processo de credenciamento prévio que retardava a entrada de novos centros no sistema de atendimento.

O gargalo das habilitações e o impacto epidemiológico
A burocracia para autorizar os centros hospitalares criava filas que se estendiam por até três anos, limitando o tratamento a apenas 130 unidades habilitadas para atender a população brasileira. A avaliação foi detalhada pela presidente da Rede Brasil AVC, a médica neurologista e pesquisadora Sheila Martins, durante a cerimônia de validação da norma.
O impacto da condição permanece como um dos principais desafios assistenciais no cenário nacional. No ano de 2025, o sistema público registrou 292 mil atendimentos provocados por AVC, dos quais 218 mil decorreram do tipo isquêmico, totalizando 106 mil óbitos em decorrência da patologia.
Plano nacional e reestruturação da linha de cuidado
A estruturação contínua do fluxo de assistência é conduzida em parceria entre a Rede Brasil AVC e o Ministério da Saúde há 15 anos. O alinhamento ganhou novas diretrizes a partir do Global Stroke Alliance Brasil, encontro que reuniu lideranças médicas e gestores públicos em junho de 2026 para desenhar estratégias regionalizadas de cobertura assistencial.
A implementação prática do plano nos estados conta com a atuação de centros de excelência integrados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Uma das referências no suporte técnico e nas ferramentas de execução das rotinas hospitalares é o Hospital Moinhos de Vento, no Rio Grande do Sul. O relatório técnico com diagnóstico, cronograma de expansão e monitoramento de dados será apresentado formalmente em breve.
Descentralização no atendimento pré-hospitalar móvel
No atendimento móvel de emergência, o repasse financeiro federal para o fornecimento do trombolítico tenecteplase voltado ao infarto opera desde 2014 no SAMU 192. As Unidades de Suporte Avançado de Vida realizam a administração do fármaco em trânsito com base em triagem clínica específica da equipe socorrista.
Ao todo, 102 bases do serviço móvel contam com autorização para receber as verbas em sete unidades federativas, distribuídas regionalmente:
- Ceará: 28 unidades
- Minas Gerais: 22 unidades
- Sergipe: 16 unidades
- Rio Grande do Norte: 13 unidades
- Bahia: 12 unidades
- São Paulo: 9 unidades
- Paraíba: 2 unidades
O socorro móvel efetuou 861 intervenções com o uso de tenecteplase ao longo de 2025. Com a inclusão das UPAs e a simplificação do acesso, pacientes de regiões afastadas de centros de alta complexidade ganham uma janela de tempo decisiva até a transferência aos hospitais de referência.
Serviço
- Informações institucionais e projetos: https://www.redebrasilavc.org.br
