A urgência de preparar cabeleireiros para a administração de negócios e inteligência emocional impulsiona encontros educacionais que vão além das técnicas de corte e coloração.
Com um investimento total de R$ 4 milhões, a terceira edição do Best Class reuniu cerca de 2 mil pessoas no Transamérica Expo Center para tratar da profissionalização estrutural do setor. Criado pelo hairstylist Mario Henrique, responsável pelo visual de celebridades e à frente do Seven Salon, o projeto nasceu originalmente como um curso técnico de alta performance e passou a absorver temáticas de mentalidade, posicionamento e liderança corporativa.
Entendi que técnica não era suficiente. Vi grandes profissionais tecnicamente excelentes, mas que não tinham uma boa gestão de pessoas e emocional. Foi aí que percebi que não basta só fazer cabelos bonitos.
A estrutura montada para um único dia de imersão demandou mais de R$ 1 milhão apenas para erguer 270 metros quadrados de painéis de LED. O público presente reuniu mais de 1.500 profissionais e cerca de 500 convidados corporativos. Do total de participantes, 67% são mulheres, com idade média concentrada entre 31 e 40 anos. A presença internacional respondeu por 15% da plateia, trazendo participantes de países da América Latina, Estados Unidos e Europa.
Para viabilizar uma base de público mais diversa, a organização reduziu o ticket médio de entrada. O acesso, que custava em torno de R$ 3 mil em 2024, passou a figurar próximo de R$ 1 mil nesta temporada sob a temática “Renovo”.

O gargalo formativo que ameaça a sustentabilidade dos negócios
O movimento de expansão pedagógica busca sanar um descompasso histórico no segmento. Segundo o idealizador, muitos cabeleireiros entram na área por vias informais ou indicações pontuais, carecendo de esteio técnico e empresarial para manter salões ativos no longo prazo.
A ausência de instituições completas de formação técnica e entidades que representem formalmente a categoria figura entre os fatores apontados para a mortalidade precoce de empreendimentos no setor de serviços pessoais.
Tendências visuais e palcos compartilhados
A grade de palestrantes contou com Romeu Felipe, Melissa Schlukebier (embaixadora da TRUSS Profissional), Marcelo Campos, Vivi Siqueira e Karol Vitusso dividindo análises de mercado com demonstrações estéticas. A passarela do evento foi dirigida pelo maquiador e hairstylist Krisna ao lado do stylist Ale Finizia, com colaborações de Gabriel Gardini e registros do fotógrafo Eusébio Mendonça.
Na concepção criativa, o desfile explorou o conceito de liberdade de expressão, priorizando texturas naturais, formas desconstruídas e composições cromáticas pautadas por nuances metálicas e tons pastéis.
A escolha de data funcionou de forma estratégica em relação ao calendário setorial de São Paulo. Ao coincidir com a Beauty Fair — feira realizada entre 5 e 8 de setembro —, a organização permitiu que caravanas e profissionais de fora do estado aproveitassem a mesma viagem para suprir demandas comerciais e de qualificação executiva.
