Quatro décadas após acompanhar a primeira edição do festival direto do gramado, Badi Assad subiu ao palco para inaugurar o último dia de programação e celebrar um marco definitivo em sua trajetória artística.
Passei a vida descobrindo que a música pode mudar de forma sem perder sua essência. Acho que as pessoas também.
Aos 60 anos de idade e completando 35 de carreira, Badi Assad foi a responsável por abrir a programação do espaço Global Village no Rock in Rio em 12 de setembro. A apresentação colocou a cantora, compositora e violonista diante de um ciclo que une dois extremos de sua história: em 1985, ela assistia à estreia histórica do evento no meio do público; anos depois, assumiu a responsabilidade de receber a plateia do alto do palco com o espetáculo intitulado “Transforma”.
O retorno aconteceu após décadas de circulação internacional, apresentações em cerca de cinquenta países e uma produção autoral que extrapolou os discos e palcos de concertos, alcançando a literatura e o cinema. No festival, toda essa bagagem encontrou uma vitrine massiva que reúne diferentes gerações e múltiplos interesses musicais sob a mesma atmosfera.

A conexão sonora do palco com a plateia
A abertura do espaço trouxe para o evento uma artista cuja identidade se consolidou pelo domínio conjunto de voz, violão e percussão corporal. Mais do que comemorar uma efeméride pessoal, a presença no festival promoveu o contato direto de sua obra com um público diverso que não necessariamente acompanhou os passos de sua trajetória independente até aqui.
A apresentação nos palcos cariocas coincidiu com a chegada ao mercado de “Badi Assad – 35 Anos Musicais”, trabalho fonográfico no qual a musicista revisita criticamente o próprio repertório. Enquanto o álbum formaliza o registro retrospectivo de estúdio, a performance ao vivo agregou frescor à celebração, selando um novo pacto estético com quem assistia.
Construção coletiva de um novo repertório
Com direção geral assinada por Deco Gedeon e direção musical compartilhada entre Badi e Débora Gurgel, o show “Transforma” funcionou como ponto de convergência entre passado e projeção de futuro. O arranjo foi desenhado para sintetizar o legado já estabelecido pela artista e, simultaneamente, abrir caminho para os desdobramentos que ainda virão em sua produção.
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