A primeira pintura em grande escala de Ailton Krenak transforma a fachada de um edifício no centro urbano e marca a despedida de um ciclo de cinco anos de intervenções artísticas na região da Praça Raul Soares.
Com 555 m² na fachada do Edifício Pignataro, a obra batizada de “Watu Hoõn” (Voz do Rio) consumiu 627,5 litros de tinta. A produção parte da memória do Rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana no ano de 2015, e evoca o verso “um rio passava seus peixes no fundo do meu quintal”, presente na composição “Vida”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
A pintura do caracol celebra a efetividade de uma agência cultural como a do CURA em um território. Somos muito mais que um festival, somos um projeto que de fato impacta o território por onde passa.
Aos 72 anos, Ailton Krenak é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Autor de obras como “A Vida Não É Útil” e “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, o pensador, jornalista e filósofo soma agora sua assinatura ao conjunto visual da capital mineira. O trabalho representa a nona empena de arte indígena no acervo reunido pelo festival entre Belo Horizonte e Manaus.

Técnica de estêncil e projeções no horizonte urbano
No Edifício Florença, a artista Mônica Nador, de 71 anos, fundadora do JAMAC e nome histórico do muralismo no país, assina a pintura “Céu Limpo”. A composição apresenta estrelas amarelas de oito pontas dispostas sobre fundo azul, estruturadas na técnica de estêncil.
A execução envolveu a medição prévia da fachada para fixar a proporção de cada elemento em 40 por 43 centímetros. Foram empregados 50 moldes de papel kraft cortados a laser e aplicados individualmente na estrutura externa, totalizando 115,5 litros de tinta para cobrir toda a superfície da empena.

Intervenção modernista e retorno às origens
O festival incluiu pela primeira vez em seu roteiro o Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer. O local recebeu uma intervenção de Rafaela Ianni no muro externo do caracol, além de visitas guiadas organizadas em parceria com a iniciativa Viva JK.
A ação fecha a permanência de cinco anos do circuito na Praça Raul Soares. A organização já projeta a celebração de seus dez anos de atividade em 2027, quando retornará à Rua Sapucaí, ponto inaugural onde o projeto começou como mirante de arte da cidade.

Serviço
- CURA – Festival de Arte Urbana
- Local: Praça Raul Soares, Belo Horizonte
- Incentivo: Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais (CA 2024.3809.0364) e Lei Municipal de Incentivo à Cultura (LMIC nº 1564/2024)
- Patrocínio Ouro: Supermercados BH
- Patrocínio Bronze: UniBH, Budweiser e Shell
- Apoio: Condomínio JK, Uma Penca, Circuito Liberdade, Belotur e Sesc Palladium
- Programação Parceira: Honk BH
- Produção: AGUA – Agência Urbana de Arte
- Realização: Instituto CURA e Ministério da Cultura (Pronac 2514523 e Pronac 261115)
- Projeto realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte





