A transição entre o calor extremo e as primeiras chuvas em Mato Grosso redefine o cardápio do restaurante Toroari, que leva a despensa nativa de Cerrado, Pantanal e Amazônia para pratos contemporâneos de alta técnica.
O retorno do ciclo úmido na região central do país altera não apenas a vegetação, mas também o ritmo dos ingredientes colhidos nas matas e lavouras locais. Em meio a esse movimento sazonal, o restaurante Toroari articula elementos identitários da cultura alimentar do Centro-Oeste com métodos refinados de cocção, apresentando preparos estruturados a partir de frutos silvestres, raízes tradicionais e pescados fluviais.
Ao reunir produtos dos três biomas do estado, ingredientes presentes no cotidiano regional e pescados de rio, o Toroari apresenta uma cozinha conectada a Mato Grosso.

O protagonismo do baru e as safras nativas
Espécie representativa da flora regional, o fruto do baru transita por diversas etapas da refeição. O ingrediente compõe a farofa crocante servida junto à Matrinchã na Brasa (R$ 210), prato acompanhado por arroz de brócolis, mandioca na manteiga e tomatinhos marinados. Na coquetelaria, a castanha finaliza o drinque Morro do Gavião (R$ 38), elaborado com cachaça ou vodca, compota de caju, limão-rosa, limão-siciliano e espuma de gengibre, enquanto a confeitaria o utiliza na nougatine do Torrone do Cerrado (R$ 35), servido com coulis de manga e creme pâtissier de maracujá.
Símbolo gastronômico cuja safra desponta com a nova estação, o pequi surge como opção agregada à Galinhada (R$ 119), preparada com coxa e sobrecoxa de galinha confit, arroz com açafrão-da-terra, vinagrete com pimenta-de-cheiro, pétalas de cebola e quiabo crocante. Já o caju comparece da entrada ao brinde: integra a Salada do Morro (R$ 73) em redução harmonizada com pintado grelhado, folhas e tahine, além de compor as Doçuras da Terra (R$ 37) ao lado de furrundu e doce de limão.

Raízes, hortaliças e as águas do Centro-Oeste
A versatilidade da mandioca sustenta preparações de texturas variadas no menu. A raiz entra na panelada servida com o Pintado Frito (R$ 187), no purê aromático que guarnece o Pintado assado na folha de bananeira (R$ 193) e no aligot elaborado para o Corte Nelore precoce de Mato Grosso – MT Steak (R$ 87). Hortaliças rústicas completam os contrastes das entradas, como a gremolata de quiabo com maxixe no Bocadito de Banana (R$ 57) e o picles que acompanha a Croqueta de Pirão de Cupim (R$ 57).
Os pescados das bacias hidrográficas estaduais asseguram a essência ribeirinha da mesa. Entre as criações na brasa, o Pacu na Brasa (R$ 197) é recheado com farofa úmida de couve e servido sobre folha de bananeira com limões-rosa grelhados e pimenta-biquinho. O encerramento valoriza a memória local com receitas como o Pavê da Nazaré (R$ 34), feito com doce de leite e limão cuiabano, e o Bolo da Vovó Cuiabana (R$ 33), bolo de chocolate finalizado com baru e chantilly de leite.

Serviço
- Local: Toroari
- Endereço: Av. Sen. Filinto Müller, 62 – Centro Norte, Várzea Grande – MT, 78110-000, Brasil
- Horário de funcionamento: Terça a sábado, das 11h30 às 15h e das 19h às 23h. Domingo, das 11h30 às 14h. Fechado às segundas-feiras.
- Reservas: Telefone/WhatsApp +556521213090 ou pelo formulário no site oficial do restaurante
