Produções documentais inéditas debatem o impacto político de Ruy Barbosa na formação republicana e a evolução urbana carioca por meio de construções históricas.
Foi um pensador, um paradigma. Ele foi referência definitiva, um ícone. Um símbolo de pensamento altivo libertário e sempre sob a perspectiva da dignidade da pessoa humana
A consolidação da República e os atritos entre os poderes encontram reflexo na trajetória do jurista baiano Ruy Barbosa, tema central do documentário inédito “A Voz de Ruy”. Com direção de Belisário Franca e produção da Giros Filmes, a obra aborda a atuação do diplomata e orador na elaboração das bases constitucionais do país e seu papel inicial nos movimentos de libertação ao lado de figuras como Luiz Gama, Joaquim Nabuco e Castro Alves.
O longa confronta momentos decisivos e controversos da atuação pública do intelectual, incluindo a queima de arquivos do Ministério da Fazenda referentes ao período escravocrata. Pesquisadores e historiadores detalham as diferentes leituras do episódio: a denúncia de setores do movimento negro contra o apagamento da memória das pessoas escravizadas e a versão de que o ato visava barrar pedidos de indenização financeira por parte de antigos senhores de engenho.

Tensões institucionais e o desenho da nova ordem
A produção reúne depoimentos de juristas e cientistas políticos que examinam as raízes dos confrontos de poder no país. O cientista político Christian Lynch destaca na produção que a oposição entre perspectivas jurídicas e projetos militares autoritários, presente no início do regime republicano, persiste como um debate recorrente nas estruturas do Estado brasileiro.
Camadas históricas gravadas no concreto
Paralelamente à análise institucional, a evolução das paisagens urbanas ganha foco com o documentário “Rio – Do Barroco ao Contemporâneo, um Museu a Céu Aberto”, dirigido por Dario Menezes e Walter Lima Júnior. O filme examina como transformações estéticas e projetos de remodelação, a exemplo das intervenções de Pereira Passos e do Plano Agache, redefiniram a ocupação de logradouros, praças e edifícios públicos.
Das reminiscências da arquitetura colonial e imperial ao Theatro Municipal e ao conjunto modernista do Pedregulho, o documentário percorre os vestígios urbanísticos da capital fluminense. A narrativa poética e informativa organiza um panorama visual pelos bens tombados, reforçando o impacto das escolhas de ocupação do espaço ao longo dos séculos.
Programação temática da semana
Além das estreias dos dois títulos, a grade exibe conteúdos que exploram processos musicais, representação negra no audiovisual e memórias literárias brasileiras ao longo dos próximos dias.
Serviço
- A Bahia me Fez Assim: 28 de setembro, às 21h20. Horários alternativos: terça-feira, 22, às 00h40 e 14h40; quarta-feira, 23, às 08h40; sábado, 26, às 12h; domingo, 27, às 18h.
- Rio – Do Barroco ao Contemporâneo, um Museu a Céu Aberto: 29 de setembro, às 18h20. Horários alternativos: quarta-feira, 23, às 01h30 e 15h30; quinta-feira, 24, às 09h30; sábado, 26, às 12h30; domingo, 27, às 18h30.
- Homo Brasilis (Ep. Joel Zito): 30 de setembro, às 20h. Horários alternativos: terça-feira, 22, às 00h40 e 14h40; quarta-feira, 23, às 08h40; sábado, 26, às 12h; domingo, 27, às 18h.
- O Nascimento de H. Teixeira: 01 de outubro, às 21h30. Horários alternativos: sexta-feira, 18, às 01h30 e 15h30; sábado, 19, às 12h; domingo, 20, às 18h; segunda-feira, 21, às 09h30.
- A Voz de Ruy: 02 de outubro, às 22h. Horários alternativos: sábado, 26, às 02h e 11h; segunda-feira, 28, às 00h e 16h; terça-feira, 29, às 10h.
- Clarice Niskier: Teatro dos Pés à Cabeça: 03 de outubro, às 19h20.
- Churchill, Roosevelt, Stalin: A Paz Impossível: 04 de outubro, às 20h35.
- Exibição e streaming: Canal Curta! e plataforma CurtaOn – Clube de Documentários (Prime Video Channels, Claro tv+ e CurtaOn.com.br).
