A autorização da família marca o início de uma operação médica de extrema precisão e rapidez para viabilizar transplantes e garantir que órgãos cheguem a tempo aos receptores.
No Brasil, quase metade das famílias entrevistadas ainda recusa a retirada de órgãos de parentes falecidos. Durante o ano de 2025, foram registradas 4.200 negativas, correspondendo a 45% das abordagens realizadas no país. Na contramão das recusas, o sistema nacional alcançou 4.321 doadores efetivos no mesmo período, atingindo o maior patamar histórico documentado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.
Nosso papel é oferecer informação, acolhimento e liberdade para que aquela decisão seja tomada sem pressão.
Assim que o consentimento é firmado, mobilizam-se equipes multiprofissionais formadas por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e especialistas em logística. A etapa inaugural exige a confirmação de morte encefálica, definida pelo Ministério da Saúde como a interrupção completa e definitiva das atividades do encéfalo, diagnosticada por meio de exames clínicos complementares e protocolos rigorosos.

Critérios rigorosos e a janela de isquemia
O aceite dos parentes não garante o aproveitamento automático de todas as estruturas. O histórico de saúde do paciente, a presença de infecções e exames laboratoriais detalhados definem a viabilidade clínica da intervenção. Além das negativas de familiares, 2.957 potenciais doadores tiveram o procedimento inviabilizado por contraindicação médica e outros 1.038 sofreram parada cardíaca ao longo de 2025.
A fase posterior à retirada impõe limites severos de tempo devido à isquemia, período em que o tecido deixa de receber oxigenação. O coração tolera cerca de quatro horas fora do corpo, enquanto os pulmões suportam de quatro a seis horas. Fígado e pâncreas alcançam até 12 horas de viabilidade, e os rins podem aguardar até 48 horas para a conclusão do implante cirúrgico.
Distribuição centralizada e logística interestadual
O encaminhamento de cada item segue normas exclusivas da Central de Transplantes, que avalia gravidade, tempo em lista de espera e índices de compatibilidade imunológica. A infraestrutura de deslocamento terrestre e aéreo interestadual garantiu a realização de 867 transplantes renais, 375 hepáticos, 100 cardíacos, 25 pulmonares e quatro de pâncreas entre diferentes estados no último ano monitorado.
Especialistas da área reforçam que o diálogo antecipado em casa continua sendo a ferramenta mais eficaz para reverter o índice de recusas, uma vez que um único doador tem capacidade de beneficiar até oito pacientes na fila de espera.
