A expansão global do mercado de produtos vegetais acompanha evidências científicas sobre a proteção cardiovascular, mas especialistas reforçam a importância da variedade para evitar deficiências nutricionais no dia a dia.
O setor global de alimentos baseados em plantas registra crescimento contínuo. Dados da consultoria Grand View Research indicam que o segmento movimentou cerca de US$ 22,1 bilhões em 2025, com projeção de atingir US$ 24,5 bilhões em 2026 e US$ 52,6 bilhões até 2033, mantendo uma taxa média de expansão anual de 11,5%.
Ao mesmo tempo, pesquisas analisam os efeitos desse padrão alimentar no organismo. Uma revisão sistemática publicada na revista científica Nutrients, no mês de agosto de 2026, avaliou dados de 846.589 voluntários. Os resultados demonstraram que o consumo prioritário de vegetais reduz em 10% o risco de doenças cardiovasculares, índice que chega a 17% quando a opção é por itens vegetais considerados saudáveis.
O segredo está na variedade e no cuidado em incluir fontes vegetais ricas nos nutrientes mais críticos. Uma dieta vegana bem planejada é totalmente capaz de suprir as necessidades do organismo e promover saúde.

Cuidados indispensáveis na substituição nutricional
Apesar dos benefícios comprovados, a transição para o padrão vegetariano estrito requer atenção com a oferta de nutrientes específicos. Conforme ressalta Diego Righi, professor de nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, a retirada de produtos de origem animal exige substituições planejadas para não comprometer índices de ferro, cálcio, zinco, iodo, ômega-3 e vitamina B12.
Para assegurar a manutenção da saúde no Dia do Veganismo, celebrado em 01/11, o docente estruturou uma lista com cinco categorias de alimentos fundamentais no planejamento diário.
Grupos essenciais para a montagem do cardápio
- Leguminosas: Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha funcionam como as principais fontes de proteína vegetal, além de fornecerem ferro, zinco e fibras que auxiliam na saciedade e na saúde intestinal.
- Oleaginosas: Nozes, castanhas e amêndoas concentram gorduras de boa qualidade (ômega-3 e ômega-6), vitamina E, selênio e magnésio, atuando na proteção do coração, do cérebro e no fortalecimento do sistema imunológico.
- Vegetais verde-escuros: Couve, espinafre e brócolis apresentam excelentes teores de cálcio, ferro e vitamina K, nutrientes fundamentais para a formação óssea e a prevenção de anemia.
- Grãos integrais e sementes: Quinoa, aveia, chia e linhaça fornecem proteínas completas, fibras, ferro e ômega-3 vegetal, atuando como aliados na saúde cerebral e cardiovascular.
- Alimentos fortificados e suplementos: Como a vitamina B12 é essencial para o sistema nervoso e para a formação dos glóbulos vermelhos, mas não está presente em vegetais, a utilização de suplementação ou de bebidas vegetais enriquecidas com B12 e cálcio torna-se indispensável.
