A exposição Amazônicas entra em seus últimos dias em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, reunindo dezenas de criações feitas por mulheres da região Norte com entrada gratuita até meados do mês.
Após passar por Belém, Fortaleza e Brasília, a mostra “Amazônicas: Poéticas femininas” encerra sua trajetória nacional no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro. O projeto traz ao público fluminense um panorama vibrante da produção cultural feita por artistas mulheres oriundas dos estados do Pará, Acre e Amazonas, cobrindo criações desenvolvidas desde a década de 1970 até a atualidade. A exibição pode ser visitada até o dia 16 de novembro de 2026.
Idealizado pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), o projeto tem curadoria e direção artística de Sissa Aneleh, pesquisadora que se dedica há 16 anos ao estudo da arte feminina amazônica. A proposta reúne 80 obras assinadas por 21 artistas de diferentes gerações, transitando por linguagens diversas como pintura, escultura, gravura, fotografia, objeto, arte digital e videoarte. A iniciativa viabilizou ainda uma rede de trabalho que beneficiou mais de 150 pessoas por meio de contratos diretos e indiretos, priorizando a contratação de profissionais femininas.

Ancestralidade e diversidade marcam o percurso da exposição Amazônicas no CCBB RJ
O conceito curricular e poético da mostra se divide em quatro núcleos temáticos interligados: Materialidades Ancestrais, Gravura Feminina, Amazônia Pictórica e Performáticas. Em cada espaço, as obras discutem questões fundamentais de gênero, identidade nacional, regionalismo e diversidade, tecendo diálogos entre artivismo, culturas indígenas, matrizes afro-brasileiras e memórias da floresta.
Nesta exposição afirmamos que a Amazônia é o verdadeiro ventre do Brasil e do mundo.
A afirmação da curadora Sissa Aneleh reforça a perspectiva de reconhecer o território do Norte não como mero suporte estético, mas como energia fundamental de encantaria e força artística. No segmento “Materialidades Ancestrais”, por exemplo, destacam-se as cerâmicas táteis de Lise Lobato e as esculturas da série “Revoltosas”, de Cristiane Martins. Já em “Gravura Feminina”, a produção sobre papel ganha destaque com xilogravuras de Elieni Tenório, composições híbridas de Maria Auxiliadora Zuazo e experimentações de Elaine Arruda.
No setor “Amazônia Pictórica”, a pintura emerge como narrativa imagética marcante, apresentando quadros de Nina Matos, Sanchris, Rita Loureiro, Bárbara Savannah, Rafaela Moreira, Auá Mendes e Wɨra Tini. Por fim, o núcleo “Performáticas” coloca o corpo no centro das discussões políticas e visuais, reunindo fotoperformances de Renata Aguiar, pesquisas de Keila-Sankofa, a série “Mênstrua, Monstro, Monstra, Mostarda”, de Lúcia Gomes, além de trabalhos de Rafa Bqueer, Val Sampaio, Rafaela Kennedy, Rita Huni Kuin, Yaka Huni Kuin e Diná Oliveira.

Tecnologia imersiva e participação do público na mostra Amazônicas
Além das galerias tradicionais, a visitação ganha contornos tecnológicos no Espaço Petrobras Amazônicas. A sala conta com recursos de realidade expandida (XR), realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR), permitindo que os visitantes utilizem óculos 3D para apreciar filmes e cenários conceituais em 360 graus. O público também é convidado a colaborar diretamente na obra coletiva em vídeo “Mensagem para a Amazônia”, deixando depoimentos gravados sobre a importância da preservação ambiental ao longo da circulação do projeto.
O compromisso social da exibição expandiu-se com a realização de oficinas gratuitas voltadas à formação de mulheres no mercado cultural. Entre as formações ministradas estiveram a oficina “Produção Executiva para Exposições de Artes Visuais”, conduzida por Stella Paiva, produtora cultural e gerente de produção do Museu de Arte do Rio (MAR), e “Criação de Projetos de Performance”, ministrada pela artista Cristiane Martins. A estrutura da mostra dispõe ainda de acessibilidade ampla, incluindo recursos como audiodescrição, obras táteis e interpretação em Libras.

Serviço
- Exposição: Amazônicas: Poéticas Femininas
- Período de visitação: Até 16 de novembro de 2026
- Curadoria: Sissa Aneleh
- Local: Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ)
- Endereço: Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro (RJ)
- Horário de funcionamento: De quarta a segunda, das 9h às 20h (fechado às terças)
- Atendimento exclusivo para pessoas com deficiência intelectual ou mental: Domingos, das 8h às 9h (conforme Lei Municipal nº 6.278/2017)
- Entrada: Gratuita (ingressos retiráveis pelo site bb.com.br/cultura ou na bilheteria física)
- Classificação indicativa: Livre
- Contato e informações: (21) 3808-2020 | ccbbrio@bb.com.br | www.museudasmulheres.com.br



Leia também
- Escultura e performance reativam memórias ancestrais no Rio
- Obras de Vik Muniz e lendas amazônicas viram palco para crianças
- CCBB RJ abre oficinas gratuitas de artes visuais para mulheres
- CCBB Rio celebra 37 anos com Dia das Crianças gratuito
