Ana Carolina Sauwen estreia como vilã em Cansei de Ser Nerd e amplia no audiovisual e no palco sua reflexão sobre maternidade, identidade e liberdade.
Com a chegada de Cansei de Ser Nerd aos cinemas, Ana Carolina Sauwen dá um passo novo na carreira ao interpretar Amanda, uma vilã que provoca o riso pelo desconcerto e desloca expectativas no longa em que contracena com Fernando Caruso.
Vilania como linguagem
Conhecida por observar as contradições do cotidiano feminino com humor, Ana agora explora um território menos confortável. A graça, nesse caso, não nasce do reconhecimento imediato, mas do estranhamento. “Me interessa esse lugar onde o riso não vem do conforto, mas de algo que desorganiza um pouco”, afirma.
No filme, Amanda aparece como uma presença magnética e deslocada. A personagem fala como quem tenta seduzir o tempo todo, mas de forma torta, quase fora de lugar. Para a atriz, esse tipo de presença abre novas possibilidades de interpretação e amplia sua faixa de criação no cinema.
Um dos bastidores que mais a marcou aconteceu no fim de uma gravação. Ainda caracterizada, com peruca rosa e sangue cenográfico, Ana voltou para casa e assustou o porteiro do prédio, que chegou a se oferecer para chamar atendimento médico. O episódio resume o clima de leveza e humor que cercou o set.
“O set tinha um clima de troca, e isso faz toda a diferença para o resultado final. O Caruso é um comediante que eu já admiro há muitos anos. Nesse projeto, ele virou, além de tudo, um amigo muito querido. É bonito demais ver a maneira como ele se apropria do texto e entrega comédia da melhor qualidade a cada pequeno gesto. É uma pessoa muito generosa, que trabalha para que tudo funcione da melhor maneira para todos.”
Uma trajetória em expansão
Com mais de 20 anos de carreira, Ana Carolina constrói um percurso que passa por teatro, audiovisual e projetos autorais. Como diretora e dramaturga, ela mistura humor, crítica e experiência pessoal em trabalhos que têm assinatura própria.
Nas redes sociais, onde reúne mais de 60 mil seguidoras, em sua maioria mulheres, consolidou uma comunicação direta sobre maternidade, identidade e relações de trabalho. A frase que a define, “a atriz que ri de tudo que dá vontade de chorar”, virou uma síntese de sua forma de olhar para a vida e para a criação.
Essa visão também aparece em Da Mama ao Caos, solo de comédia em cartaz no Rio de Janeiro, no Teatro Café Pequeno, de 6 a 27 de maio. No espetáculo, a maternidade surge sem idealização e atravessada por sobrecarga, culpa e a busca por uma perfeição inalcançável.
“A maternidade me ensinou a cuidar de mim, por mais contraditório que isso possa parecer. Entendi que meu filho precisa de uma mãe inteira, e não de alguém que esteja só a serviço dele. Então, passei a olhar para mim e os meus desejos. Hoje, valorizo muito mais as minhas relações e, especialmente, os meus momentos de prazer, que são raros. A mãe é uma pessoa para além da maternidade”, afirma.
Na palestra Muito além do parabéns, a atriz amplia esse debate para o ambiente de trabalho e fala sobre mecanismos que afetam a trajetória das mulheres. O tom permanece o mesmo: humor, precisão e uma leitura que conecta experiências individuais a estruturas mais amplas.
Serviço
- Espetáculo: Da Mama ao Caos.
- Local: Teatro Café Pequeno, Rio de Janeiro.
- Data: de 6 a 27 de maio.
- Artista: Ana Carolina Sauwen.
- Filme: Cansei de Ser Nerd, nos cinemas.
